sexta-feira, 6 de junho de 2014

Me abundo


 
Sento,

em qualquer lugar

para ver o céu,

gente passar,

o sol lentamente

sair de cena,

a lua chegar.

 

Sem apresentação

me abundo

num banquinho qualquer.

O vida passa

e meus monstros,

aos poucos,

tornam-se bichos de pelúcia.

 

A arte fervilha

no observar,

o silencio

da rotina barulhenta.

Sentimo-nos vivos,

rompendo barreiras

escutando o coração.

 

Ouço o murmurinho

dos outros

e me vejo em todos.

O ser humano

é igualmente frágil.

Buscam por flores

que estão a seus pés.

 

O instrumento da fala

tão pouco usado.

Resolve situações,

salva relações.

Me perco,

dialogando o outro,

logo eu, que falo tanto...

 

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