segunda-feira, 7 de março de 2011

Tropeço

Porque não me deixaste adormecido.
Queres me acordar,
acordar para o que ?
Dissipo a tristeza, a solidão,
no silencio, na leveza dos sonhos.
Estou me guardando
para realmente levantar.

Sou um bom rapaz,
e suas indagações
viram interrogatórios.
Assim, tenho medo
de ir para não voltar.
Tomando a atitude
de um animal acuado.

Quero contar minha dor,
falar do meu cansaço,
do peso que sinto.
Falar dos motivos,
das faltas, do que trago
e nunca pude entregar...
Sabe, falta permissão.

Vivo procurando “alguém”
que ouça o que sinto.
Não precisa entender,
basta ouvir,
ser cúmplice do instante.
Que pare, que também sinta
as dormências da vida.

Que compreenda que o silencio
não é momento a ser ”preenchido”.
A saudade do que esta perto,
dói, me faz chorar.
Adormeço os instintos,
os desejos, o rugido.
A qualquer hora...tropeço, e volto a dormir.

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