quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Carona no avião

O companheiro Ernesto Gradella, ex-vereador e ex-deputado federal de São José dos Campos, deixou-me um grande aprendizado, com sua experiência de Parlamentar (Revolucionário) aqui em Brasília.

O parlamento coloca “juntos” diversos setores da classe dominante, como banqueiros, empreiteiros, indústrias químicas, donos do agro-negócio, etc, e alguns poucos representantes da classe trabalhadora.

Ernesto Gradella (SP), foi um metalúrgico no parlamento.

Ele e o companheiro Cyro Garcia (RJ), bancário, foram deputados que mantiveram o mesmo nível de vida que tinham, ganhando os mesmos salários que recebiam antes de serem eleitos, e colocando o restante a serviço das lutas.

O PT caminhava a passos largos para adaptação ao regime democrático burguês, trocando as lutas e mobilizações, por uma política simplesmente eleitoral.

A chamada esquerda do PT adaptou-se a isso, como faz até hoje, sendo favorecida com cargos no governo e parlamentares (quase) sempre reeleitos.

Percebemos que o PT estava tomando o rumo que hoje é claro, o da conciliação de classes.

Em nome da “cidadania” e da governabilidade, o Partido dos Trabalhadores tinha como objetivo mostrar-se “domável e confiável” a classe dominante.

Nossa organização, com estrutura bolchevique, sempre discutiu pela base, a atuação nas lutas, nos sindicatos, nas escolas e universidades e no parlamento. Isto permitiu que não nos adaptássemos a “camaradagem” com os “pares” do Congresso Nacional.

Gradella, na campanha pela reeleição de 1994, voltava de Brasília para São José na quinta à noite, pois tinha agenda (compromissos) em sua cidade,

Porém recebeu um telefonema, convocando-o para um comício com Lula em Campinas sexta pela hora do almoço.

Informou que seria quase impossível ir.

Então o comitê de Lula, falou que ele não precisava se preocupar. Bastava vir de São José para São Paulo, que ali ele e outros pegariam um “jatinho” cedido por um empresário amigo.

Tudo combinado, até a reunião da Direção Municipal de São José dos Campos, aonde o chamaram atenção, detectando que o impulso “simplista”, era na realidade, a ponta do iceberg de uma política de troca de favores.

Gradella sempre ouviu a organização e foi ao comício, como havia se comprometido, de ônibus.

Nosso mandato sempre foi assim. Mandato coletivo, mandato da Convergência Socilalista.

Em nosso gabinete nunca aceitamos “presentes”, desde os mais simples, aos mais tentadores ou as belas Cestas de Natal. Todos eram devolvidos.
O PT continuou voando por aí, “em seus aviões”, em seus mensalões, em suas coligações, em suas bandalheiras e ataques a classe trabalhadora.

Esta semana o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e um de seus cinco filhos, o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), utilizam um jatinho pertencente à Ourofino Agronegócios para viagens particulares.

O deputado Baleia Rossi foi contemplado com doação de campanha no valor de R$ 100 mil, transferidos pela Ourofino.
Em outubro, Rossi liberou a Ourofino para comercializar a vacina, tornando a companhia pioneira no setor, um mercado que movimenta R$ 1 bilhão ao ano e, até então, dominado por firmas estrangeiras.
O trânsito de Rossi e de seu filho no jato da empresa é conhecido no Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto. Funcionários relatam que o ministro e o deputado estadual sempre são vistos desembarcando no Embraer modelo Phenom, avaliado em US$ 7 milhões.

A empresa confirma os empréstimos do jatinho e diz que a aeronave é cedida “para amigos pessoais e colaboradores”.
Desde novembro do ano passado, a Ourofino registrou crescimento de 81%.
O ministro da Agricultura, Wagner Rossi violou o artigo 7º do Código de Ética da Alta Administração Federal, do âmbito do Poder Executivo.

“A autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei, nem receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade”, diz um trecho do Código de Ética.

Se fosse só o Wagner Rossi, tudo seria mais fácil. Poderia até ser resolvido.

O problema é que vivemos numa rapinagem, numa putaria, “nunca antes vista na história deste país”.

Somente a organização independente da classe trabalhadora poderá romper com isto.



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