domingo, 25 de janeiro de 2009

Amor Pop Star

Aconteceu, rssssssssss.
Um conhecido saiu do trabalho e foi com amigos tomar uma cervejinha, sem maldade.
Do nada rola um clima com a arquiteta.
Eles já trabalhavam juntos tinha tempo, mas naquele dia....o clima esquentou.
E a noite foi pequena pra tanto desejo.
No dia seguinte, ele, voltando pra casa não sabia o que falar.
Foi quando percebeu que só sendo vítima da vida, poderia escapar daquela enrascada.
Arrancou um pé do sapato e o jogou por cima de um terreno baldio.
Com um forte golpe abriu a camisa, aonde perdeu alguns botões.
Esfregou-se com força em um muro com chapisco grosso, provocando sangramento pelo rosto e peito.
Então correu, correu muito até em casa.
Chegou ofegante e explicou que fugiu de um seqüestro.
A esposa, delegada de polícia, imediatamente ligou para a delegacia e colocou toda equipe a procura dos “bandidos”.
Ele, a vítima, foi notícia dos jornais e tele jornais da cidade.
Este foi um amor Pop Star.

Tio Maninho

Estava lanchando com meu tio Maninho ( Henrique ), mesa farta, tipo café colonial, doces, geléias, frios, cucas, pães, queijos, nata, etc e etc.
Estiquei o braço e alcancei um pão de forma já aberto.
Imediatamente meu tio me tomou da mão.
E passou-me um pacote com um pão lacrado.
Afirmou de boca cheia, “este é novo”.
Tentei explicar que queria o aberto,
afinal era o da manha, ainda ótimo para o consumo.
Então tio Maninho disse de forma direta:
“coma o novo, o velho dou pro Urso ( o cachorro ) e pros porcos”
Tentei argumentar que não fazia sentido desperdiçar comida e que eu preferia comer o mais velho. Que ele deveria parar de comprar mais comida, até acabar o que tinha.
Maninho então rasgou uma gargalhada na copa.
Então afirmou:
“vc vai resolver o nosso problema daqui de Catuipe, irá primeiro consumir todas as mulheres velhas da cidade, pra não “desperdiçar” e deixará as novas pra nós, kkkkkkkkkkkkkkkkkkk.”
Este é meu tio Maninho, o velho Grebão, rsssssssssssssss.

Visite a comunidade do Tio Maninho, vale a pena, rs.

Maninhu, o Poderoso Grebao (32 membros)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Água viva

É interessante o ser visita, forasteiro das vidas locais.
Passo pelas casas de diversos primos, com suas esposas, filhos e grupo social.
Cada um colocando, apresentando, seu modo de vida, suas vitórias, suas buscas, contando seus contratempos e soluções de vida. Tudo regado de muita comida, rs.
O principal esporte daqui, é o levantamento de garfo, rs.
Ontem a noite fui a casa do Elton e Clarice.
Elton tem a marca de Greber no rosto. Feito em forma como parte da família. Me lembra o falecido vô, igual, digo igual a seu irmão mas novo, Eduardo, meu companheiro de boas farras em Brasília.
Dele pouco me lembrava.
O vi com uns 10 a 12 anos em Sta Rosa, e depois a uns 10 anos atrás em Brasília.
Sempre coisa muito rápida.
Sua esposa, Clarice, já tinha tido o prazer de conversar um pouco, de trocar alguns e-mails, ou MSN. Também muito pequena a experiência, mas de longe já percebia uma pessoa sensível e agradável.
Eles tem uma única filha, Lara, menina linda, que já faz o terceiro período de comunicação em universidade pública.
Enfim uma bela família.
Com algumas muitas características locais, mas com uma carga genética Greber acentuada, rs.
O amor e paixão pelo Elton por cães, é impressionante. Fez questão de me mostra-los um a um. Contar as istórias, sobre os pães, irmãos, procedência.
Mostrar fotos do nascimento e de passeios e momentos dele com seus cães.
Foge-me o presente, revivo o passado e vejo seus irmãos, Sonali e Eduardo, ambos professores em Brasília, com seus respectivos animais e também falando e contando sobre os mesmos, rs.
Sua esposa Clarice, vem relatar que Elton tem o hábito de acordar cedo, fazer o café, arrumar a casa, dar comida aos bichos, e sentar diante do amanhecer.
Começo a sorrir devagar, parece que ela falava de mim, de meu tio Henrique, estou hospedado hoje na casa dele, de meu primo Goia, digo Álvaro, de Porto Alegre.
Enfim, características físicas e de comportamento, que vemos em diversos membros da família.
A comilança foi muito boa, carne e carne de diversos tipos.
Uma maionese, famosa e comentada, que também recomendo e dou nota máxima.
Fiquei sabendo que o casal, no início de sua vida, tinha ido atrás de mim no Rio de Janeiro, mas que o desencontro se deu por já ter partido rumo ao exterior.
Ou seja, poderia ter tido a alegria de um primo parceiro, em minhas andanças pelas terras do Tio Sam. Sei lá o que não teríamos aprontado por lá. Afinal juntar Grebers causa euforia, ação e determinação, rs.
Mas a vida não nos premiou com estes momentos.
Porém aqui a vida é sonora, os pássaros falam dos sonhos, se confundem com as crianças, interpretam a vida, no vai e vem das paixões.
Elton, quando se despedia de mim no portão, confessou da “falta” que sentia em não ter seu mano a seu lado.
Mas uma vez disse o quanto Eduardo era um amigão, companheiro, e que estava muito bem e feliz com sua companheira “Cele”, figura impar e maravilhosa, parceira das parceiras, das noites e dos dias.
Nos despedimos, com gosto de quero mais.
Espero poder recebe-los lá em casa, poder emendar a noite com o dia, esticar o tempo, em longas conversas.
Agora vou ao clube.
Perceber o sol de dentro dágua, como camaleão, transformar-me em água viva.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Vendedor de Sonhos

Moço, que tipo de sonho que você vende?
Seu sonho tem recheio?
Custa caro?
Aceita ticket?
Beijos:-x

Tamaroli

Meus sonhos são simples,
caseiros,
não tem receita.

Faço-os de olho.
Respeito o instinto.
O tempo.

Às vezes coloco recheio
Outras vezes sirvo-os "puros"
Sonhos de criança....

Como te disse,
sou um vendedor.

Ando por aí
cantarolando
desmontando as armaduras
distraindo os linhas duras
dissolvendo algumas “turras”.

Tem gente que é freguês,
Gosta, come, repete.
Outros sedem a vez
Desdenham,
Vivem de barriga cheia....

Não fiz fortuna,
aceito ticket,
vale transporte,
vendo fiado,
e num caderno
comento a “sorte”.

Sou feliz,
Sabe porque?
Meu mercado
nunca vai acabar.

Tenho freguês
até da lu@!!!!

Na noite
eles se chegam
em vôo de morcego
cegos e instintivos.

Sou um Vendedor de Sonhos
Solitário Vendedor
Um eterno Sonhador

sábado, 3 de janeiro de 2009

Cobrador Sofisticado

Logo que retornei pro Rio, aos quinze anos, em 1973, já me interessava pelo rumo da sociedade. As questões políticas me atraiam.
A propaganda da ditadura, era intensa na televisão, comemorava-se o sesquicentenário da independência (“projeto de amor e paz, este Brasil faz coisas, que ninguém imagina que faz...”)
Já tinha vivido a campanha do “ame-o ou deixe-o”, do governo “Garrafa Azul Médice” Achava aquilo intransigente, como se houvesse somente uma forma de amar, de pensar.
Percebia a diferença entre a palavra deixar e ser expulso, preso, torturado e morto.
Assustou-me um cartaz de PROCURA-SE, com fotos de ativistas, como se vivêssemos em uma época de faroeste americano.
Percebia o murmurar de um setor da sociedade, que na música, na arte, nos muros e nas esquinas clamavam o fim da ditadura.
Mas era menino, e precisava fazer “eco”.
Meu professor de inglês saiu candidato a vereador pelo MDB, Clemir Ramos, de Bangu. Ali fui. Comecei minha militância.
Logo conheci o setor “autentico” do partido, Alves de Brito, Raimundo de Oliveira, Délio dos Santos, Marcelo Cerqueira, José Frejat, entre outros.
Elegemos Frejat Vereador e posteriormente Deputado Federal.
Girava em volta do PCB e seus quadros, até que conheci um outro grupo, com seus pequenos cartazes, pretos, que clamavam:

Chega de Fome e Exploração!!!
Abaixo a Ditadura!!!
Anistia Ampla Geral e Irrestrita.

Era a Liga Operária, mãe da futura organização Convergência Socialista, da qual fiz parte e me formou como pessoa.
Logo me identifiquei com os camaradas e ali conheci o Trotskismo e o Morenismo. Hugo Miguel Bressano Capacete, também conhecido como Nahuel Moreno, foi um líder revolucionário argentino dirigente Internacional da LIT-QI, ou Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional, que teve origem na antiga seção argentina da IV internacional, (o PST posteriormente MAS hoje chamado FOS). Moreno
faleceu em 25/01/87 .
Já na Universidade, por fazer arquitetura, fui envolvido pelos “Libelus”, nome dado ao setor universitário de outro grupo Trotskista, ligado aos dirigentes franceses Pierre Lambert e Daniel Gluckstein (agrupamento que seguiu a tragetória do Partido Comunista Internacionalista - PCI, atualmente Corrente Comunista Internacionalista - CCI do Partido dos Trabalhadores da França)
Com a aproximação das eleições na França e a possibilidade concreta de eleger François Miterrant, as duas correntes (Morenismo e Lambertismo) tiraram uma política em comum, chamando a unidade do PC e PS, que culminou na vitória de Miterrant.
Nestes momentos chamava-nos de primos. Havia um projeto de unificação das duas organizações. Infelizmente não foi possível e cada vez mais nossa política se distanciou.
Passei então a militar organicamente na CS, Convergência Socialista.
Sempre fui um militante diferente dos demais, por nunca ter pertencido a uma categoria da classe trabalhadora.
Isto sempre foi motivo de comentários, análises e gozações.
Argumentavam que para não sofrer pressão dos “encantos” capitalistas teria que fazer um concurso, ter horário, compromisso corporativo, etc...
Certa vez, já morava em Brasília, um grupo de rodoviários se aproximou de nossa corrente.
Eram todos funcionários da TCB, Transporte Coletivo de Brasília.
Faziam oposição a direção do sindicato, petista e cutista e ao governo de Joaquim Roriz (PMDB).
Era tudo que queríamos.
Mas o problema é que não tínhamos nenhum dirigente na categoria. Isto fazia falta.
Foi então que o CR, Comitê Regional, discutiu e votou que havia chegado minha hora.
Em cima das resoluções do 11º Congresso Mundial da 4ª Internacional, que orientava suas sessões, a operar um “giro operário” em sua base, fui o escolhido para a tarefa, teria que me tornar um rodoviário, seria uma solução para o trabalho na categoria e resolveria uma “distorção” de um militante “vendedor de sonhos”.
Lembro-me do papo com o camarada e amigo Ricardo Guillen, onde ele convencia-me a deixar de lado todos os meus trabalhos e que me adaptasse a viver, vestir, pensar, transpirar como um rodoviário, com o salário e o padrão da categoria.
Estava colocado o desafio. E que desafio!!!!!
Agora era se inscrever no concurso público, já que a empresa era estatal.
Feito, fiz o concurso, passei e fui chamado para a entrevista.
Lá fui reprovado.
Assustado fui reclamar e saber o porque.
A psicóloga me reprovou pois tinha certeza de que logo sairia da empresa por ter uma formação muito além da exigida.
Então depois de muito conversar e explicar, disse que sonhava com a oportunidade de entrar em um emprego público, e que pretendia crescer na empresa, ser um diretor e bla,bla,bla.....
Fui então admitido.
Meus novos companheiros de categoria, rodoviários, eufóricos me chamaram para comemorar.
Corremos os trailers ao redor da garagem, bebendo rabo de galo e não sei lá o que. Derramava as doses como eles.
Juro que não me permiti sentir saudades de meus bons vinhos....
Só me lembro que todos se foram, rindo e felizes.
Segui rumo a sede da Convergencia, deitei no chão e sem nem fechar a porta apaguei.
Se existe coma alcolico, tive um, rs.
Meu primeiro problema era que não cabia dentro do lugar reservado aos cobradores. Toda a vez que a roleta rodava, batia no meu joelho. A marca roxa era uma constante.
Tinha que ser rápido e invisível na categoria, pois se o Sindicato me descobrisse, pediria minha cabeça a direção da empresa. Seria usado como moeda de troca nas negociações.
Em tres meses haveria eleições para a CIPA, o que me daria estabilidade na empresa. Este era o plano.
Precisava ficar conhecido na categoria, e ao mesmo tempo não ser percebido pela direção do sindicato, que me conhecia.
Pois consegui.
Fui pra sede da associação, ABEM, aonde redigia ofícios, orientava e ajudava no que podia os companheiros.
Jogava dominó, e torcia nas peladas.
Construi um pequeno grupo, com quem já conspirava, mas de forma bem clandestina mesmo. Alí já tirávamos estratégias e políticas para ação.
Veio as eleições da CIPA e fui o 3º mais votado em 10 eleitos.
Sai então da clandestinidade.
Já podia rodar os refeitórios, os terminais, as garagens convocando reuniões. Sentia-me realizado.
Foi quando o sindicato foi com um fotográfo e me click, click, clickou diversas vezes. O PC, Paulo Cesar, gritava bravo, vc esta fudido, vai ser demitido, etc e tal.
Depois de alguns dias, quando me apresentei na rodoviária para trabalhar, o fiscal reteve meu ponto, e disse que o presidente da Empresa, Dr Karin Nabut, mandou me chamar. Que eu fosse imediatamente.
Então ainda perguntou, “o que voce fez de errado 1220 ?” ( chamavam-me pelo número do ponto )
Fui, no caminho com receio e ansioso, mas chegando lá, controlei-me para o enfrentamento.
A secretária mando-me sentar, e foi anunciar minha presença.
Quando o próprio Dr Karim, empresário, dono de cinemas e prédios comerciais, correu até a porta e mandou-me entrar.
“Entre meu filho”., falou ele.
“Queria muito te conhecer, pois fui visitado esta semana pelo Sindicato dos Rodoviários, que me trouxe fotos e informações sobre voce.
Falaram horrores, que é um infiltrado e que pode acabar com a paz e o sossego da empresa.
Fiquei espantado, pois o poderoso sindicato de voces, com medo de um cobrador. Cheguei a perguntar quantos eram?”, e então ele riu.
“Me conte, afinal de contas quem é voce?”
Na sala estavam o Dr Karim e mais uns outros diretores da empresa a me esperar.
Voltei ao passado e me inspirei no velho Apolonio de Carvalho, quando interrogado pela ditadura, repetia o nome e seu cargo no partido
( “Apolonio de Carvalho, secretário geral do PCBr” )
Fiz o mesmo, Wellington Rainho, cobrador, 1220.
Ele esbravejou, “isto eu já sei. Já tenho sua ficha. Voce é pontual, zela com o patrimonio da empresa, não rouba ( quis dizer negocia ) vales transportes...Quero saber quem é voce, porque eles tem medo de voce?” Falou aos berros. “Disseram que é um empresário, isto é uma loucura.!!!”
Então falei: Dr, um empresário seria um cobrador? Eles são loucos. Sou o cobrador 1220.
Então Dr Karim disse, “estou de olho em ti, mas como eu não gosto deles e eles não gostam de vc, vai ficar. Apareça por aqui depois para conversarmos”
Foi a primeira e única vez que fui a sua sala.
A partir daí me soltei totalmente.
Fiquei conhecido pois a linha que fazia, L2 Norte/W3 Norte, com passagem pela frente da UNB, Universidade de Brasília, transportava muito alunos/turistas estrangeiros. E como conversava com eles em ingles e espanhol, logo toda Rodoviária de Brasília, inclusive os policiais, me traziam os turistas em dificuldade, rs.
Sai do limite da TCB e já tinha contatos nas outras empresas.
Organizamos uma pauta de reivindicações para a data base, a revelia do sindicato, que tinha acordos com a patronal.
Nos organizamos pelas garagens e pelos cobradores.
Fiz um projeto, apresentado pelo então Deputado Federal Cyro Garcia, Bancário/RJ, que estendia o direito ao quebra de caixa que os bancários tem a cobradores, bilheteiros, caixas em geral, enfim todo trabalhador que recebesse pagamento e desse troco.
Isto mobilizou, aglutinou.
Fizemos a exigencia de banheiros nos terminais para uso exclusivo dos rodoviários e não o uso dos banheiros públicos, sempre sujos e sem segurança, mantidos pelas empresas. As cobradoras foram ao delírio, afinal nunca foi reconhecido que elas ficam mestruadas e precisam de um local para sua higiene pessoal.
Logo a contragosto do sindicato fizemos paralizações relampagos por terminais.
A greve estava quase pronta.
Era questão de dias, a diferença que a patronal e o sindicato estavam juntos em nosso encalço.
Decretamos a GREVE na madrugada. Invadimos as garagens, bloqueamos as entradas com onibus e esvaziamos os pneus. Nada entrava,nada saia.
Quando o sindicato acordou a cidade já estava toda parada.
Na rodoviária nada movido a combustível se mexia.
Houve uns quebra quebra em um terminal da cidade de São Sebastião, pois quatro onibus conseguiram sair, sob orientação do sindicato, e foram depredados pela população.
Cruzei com Dr Karin na rodoviária, então ele me disse “ voce nunca foi cobrador mesmo...”
Fomos vitoriosos, saimos com aumento real e outras reivindicações atendidas.
Cyro Garcia não foi reeleito e o projeto foi arquivado.
Sofri um processo administrativo, me cobrando os quatro onibus depredados.
Paralelo a isto, Cristovam Buarque, PT na época, se elege governador de Brasília.
Muda a presidencia da TCB. Sai Dr Karin entra a Dra Eliane.
A nova Presidenta, me chama, informa-me que estava arquivando meu processo administrativo, mas que estava fora da empresa, pois ela já tinha tido muitos problemas com a Convergencia Socialista em SP, aonde dirigiu a CMTC.
Nesta época tinha uma Livraria com Banca de Jornal, chamada “LENINGRADO”.
O curioso é que meu senhorio era o Dr Karin, rs.
Curioso também é que já tinha dado aula de Judô ao seu filho Marcos, meu amigo pessoal, que depois soube de toda a história.
Hoje, no Brasil, chamam-se de "morenistas" as correntes MES - Movimento Esquerda Socialista, CST - Corrente Socialista dos Trabalhadores, ambas do PSOL e o PSTU.
Sou militante do MES.
E ex-rodoviário, que retornou a sua profissão de Vendedor de Sonhos.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Reveillon Palestino

Me lembro de alguns 31 de dezembro que passei.
Uns marcaram pela farra da passagem, com momentos ótimos, outros pela falta da mesma farra, por um sentimento de solidão.
Mas tenho lembranças do próprio dia 31, como o andar com meu avó pelo centro do Rio e presenciar aquela chuva de papel picado, a "alegria eufórica" de uma população, que me contagiava e deslumbrava.
A questão simbólica de "começar de novo" é muito forte.
De deixar o que passou, e listar expectativas a serem alcançadas, até as mais "simples", tipo daquele regime adiado, kkkkkkkkkk.
Mas ontem foi diferente, marcou-se um Ato de Protesto, em frente a Catedral, contra o Holocausto ao povo Palestino, em pleno século XXI, chamando-se o "Fim dos bombardeios Israelenses à Faixa de Gaza".
Quero marcar que apesar de estarmos em frente a Catedral, nenhum representante da Santa Igreja Católica se fez presente. Talvez ocupados, acertando os últimos preparativos do reveillon, ou porque não estão acompanhando o massacre.
Mas esta atividade foi diferente das tantas outras que participei, pois tinha como grande maioria dos presentes, os próprios Palestinos, comerciantes de nossa capital.
Então eles dirigiram o ato, chamando as palavras de ordem, em sua língua natal.
Era difícil fazer o coro, rs.
Muitas bandeiras Palestinas, uma do PSOL, e a presença de alguns de nossos militantes e outros poucos também do PSTU; mulheres trajadas com suas roupas típicas, Burca e Véu árabe, crianças, enfim famílias inteiras.
Saímos sem um carro de som, nenhum sindicato o fez presente, em carreata, passamos pelo Palácio do Planalto, buzinando e gritando, acompanhados pela imprensa e a polícia.
Seguimos até a embaixada de Israel.
Lá começou-se uma série de intervenções.
Uma senhora tinha a foto de sua filha, que a três dias não tinha mais contato, os bombardeios começaram a seis dias. Sua filha esta com a família lá na Faixa de Gaza.
Nós brasileiros, ouvíamos e observávamos, mas percebíamos as divisões internas do grupo Árabe.
Certo momento um senhor, uns 50 anos ou mais, citou em sua intervenção que os presentes deveriam continuar em caravana, seguindo em direção a embaixada Americana e do Egito, pois os mesmos traiam a luta de seu povo, juntamente com a Autoridade Palestina e o Hamas......
Pronto, armou-se o barraco, um outro senhor partiu em direção a ele aos gritos, e em fração de segundos estavam aos murros.
Vimos ali o que na prática acontece lá. As diferenças de políticas e estratégias para a região são enormes.
Israel sonha em colocar a Faixa de Gaza novamente sob o comando da Autoridade Palestina, cujas forças controlam a Cisjordânia e cujos líderes estão negociando um acordo de paz com Israel, acordo sabe-se lá em que parâmetros, e a que nível de traição....e conciliação sem ouvir os interesses locais.
Acordo que pode se dar somente ao fim do genocídio contra civis e com o “fim” estruturado do Hamas.
Na prática sabemos que a briga interna entre os grupos Palestinos já chegou a perto dos 600 óbitos.
O grupo Hamas levou um golpe com os ataques surpresa de Israel no último sábado. Deve agora considerar se é de seu interesse desenvolver uma tática da terra arrasada de resistência a qualquer custo ou se é melhor aceitar os termos de um acordo que pelo menos o manteria no controle de Gaza.
O número de mortos já ultrapassa 390 e o de feridos, 1.600. De acordo com o Hamas, 200 membros das forças de segurança do grupo foram mortos
Israel enviou mais tropas para a fronteira de Gaza em indicação que há preparativos para ataques por terra em uma nova fase da ofensiva.
A conversa de cessar fogo é pra ingles ver.
Durante os anos do acordo de Oslo, a Autoridade Palestina teve pouca oportunidade de estabelecer boa governança na Cisjordânia e Gaza; grande parte de sua receita chegava como ajuda internacional “através” de Israel. Vocês acreditam?
Sem independência política e financeira, com o nepotismo, a corrupção, a incompetência e a violação de direitos humanos, a Autoridade Palestina serve como uma marionete de Israel e EUA, como um entrave a real luta do povo.
Neste cenário de "não governo" nasce o Hamas, fundado em 1988 a partir de um movimento de assistência social que surgira da Irmandade Muçulmana. Se a Autoridade Palestina parecia incompetente, corrupta e fraca contra Israel, o Hamas passava a impressão de ser competente, limpo e forte.
Mas pura impressão, pois também levam uma política de acordos escusos, sem transparências e democracia em seus gastos e muitas vezes com atitudes contra o interesse dos próprios Palestinos.
Hoje os principais grupos políticos são a Autoridade Palestina, que é governo, e corrupto ao extremo, a Jihad Islâmica, política que o manifestante expôs aqui no ato, o Hamas, posição intolerante do agressor e as Brigadas de Al-Aqsa.
A uns três anos recebi um grupo de militantes Palestinos aqui em Brasília.
Organizei com outros companheiros um debate seguido de jantar na sede antiga do PSOL, que ficava no Conic, fundos, na área que o meretrício ocupa na madruga.
Pouca gente foi, afinal o tema não “atrai” muito, o que nos proporcionou um contato maior com o grupo.
Fiquei impressionado com o significado de algumas notícias que ouvimos com certa naturalidade quando ditas no Jornal Nacional. O que significa fechar a Faixa de Gaza? Você sabe?
Significa que seu filho foi a escola, sua mulher foi trabalhar, sua mãe foi comprar um remédio, e sem aviso nenhum, Israel fecha a fronteira, e ninguém volta.
Ou seja, uma parcela enorme da população não pode voltar para a casa.
È como se a sua mulher fosse ao mercado mais barato que fica do lado de fora de Gaza comprar um frango e não voltasse.
Vai ficar presa dois, três, sem lá quantos dias, junto a fronteira imposta por Israel. Obviamente que o frango apodrecerá...., o filho ou filha ficará dormindo fora de casa, passando fome do outro lado do “muro”, o remédio perderá a função de ser.
E se a fronteira fica fechada por mais tempo, toda a população local fica sem mantimentos, combustível, etc.
Fazer paz, acordo com os ânimos desta forma é impossível.
A política de Israel, da força, apoiada pelos EUA, nunca conseguirá paz na região.
É bom dizer que hoje existe um grande setor da sociedade Israelita contrário a esta política.
Mas voltando ao debate com os camaradas Palestinos, depois fomos jantar,
já tarde da noite.
Colocamos uma mesa de uns 5 metros na calçada, um bolo com a bandeira Palestina, e muito churrasco, cerveja, etc.
Aos poucos eles também foram se soltando, uns garis que limpavam o local se chegaram, depois as prostitutas, travestis e outros doidões da madrugada.
Sei que a lua ajudou, e tivemos um grande debate e confraternização.
Feliz 2009.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Formula 1

Sou um aficionado por velocidade, corridas, pela Formula 1, afinal acompanhei o início do sucesso dos brasileiros neste esporte.
Além de ter crescido em Brasília, aonde sempre a questão do automobilismo fez parte da história da cidade, pelos espaços abertos e grandes pistas livres que a cidade oferecia nos seus primeiros anos de existência.
Carros fora de linha cortavam a Esplanada dos Ministérios, coração do poder da Capital.
Lembro-me dos pegas que rolavam no cemitério, das corridas no estacionamento do antigo Estádio de Futebol Pelezão, que logo meu ex-sogro, Cel. Fábio Vilela, transformou no primeiro autódromo da cidade.
Era um tempo em que o esporte era regado por amor, cada um dava um pouco de si.
Na construção do “Autódromo do Pelezão”, Cel. Fábio fugia do serviço, meu pai comentava/reclamava; com soldados para trabalhar, outras vezes com a gente (meninada) e com a PETITA, minha cadela.
Corríamos por cima dos montes de terra, víamos as inclinações das curvas serem feitas, imaginávamos o resultado final.
Depois foi a guerra para recolher pneus velhos, para proteger as áreas de escape. Curva por curva. Enfim foi muito bom aquele tempo.
As primeiras provas....só alegria.
Muita gente boa surgiu daqui. Uma geração de pilotos.
Hoje existe uma homenagem a ele no Autódromo Internacional Nelson Piquet.
Uma placa da Federação Brasiliense de Automobilismo, http://www.fbadf.com.br/
O Carrefour comprou o antigo estádio e implodiu tudo literalmente.
O velho autódromo acabou e construiu-se um novo, inaugurado em 1974, para uma corrida de Fórmula 1 extra-campeonato, vencida por Emerson Fittipaldi pilotando uma McLaren.
Desde 1996, e por um período de dez anos renováveis por mais dez, Nelson Piquet é arrendatário do autódromo, que pertence ao governo do Distrito Federal.
Infelizmente muito se perdeu com isto, pois os “novos custos operacionais” acabaram com as corridas de arrancada, da Categoria Força Livre, etc, etc...
Aqui correram pelas ruas da cidade Emerson e Wilson Fittipaldi, José Carlos Pace – Moco, Alex Dias Ribeiro, Roberto Pupo Moreno, entre outros.
Estudei no livro, ABC do Admissão, emprestado pelos pais do Nelson para concorrer a uma vaga do Colégio Dom Bosco.
Ainda sou da época que existia um certo “vestibular” na passagem do primário para o Ginásio, rs, digo 1º grau.
Hoje de manha abri o micro, buscando notícias do esporte.
Vi no site do MSN que esta em fase de acabamento a construção de um baita de um circuito nos Emirados Árabes. Será o melhor e mais luxuoso do mundo, a fim de aumentar o turismo na região. Com isto GPs tradicionais, como França e Canadá, ficarão fora do calendário.
O único campeonato local é de rali, país sem nenhuma tradição no automobilismo, os Árabes querem "roubar" de Cingapura o título de vedete do calendário da F-1, já que o GP, primeiro noturno da categoria, foi escolhido recentemente como o de melhor estrutura e organização do ano de 2008.Em seguida procurei acompanhar a questão da venda da Honda, que anunciou a saída do circo
Parece que Carlos Slim, um dos três homens mais ricos do mundo, comprou por um dólar a equipe Honda de Fórmula 1, que anunciou no início do mês sua retirada da categoria por causa da crise econômica mundial.
Slim, é dono do grupo Telmex (Mexicano) que detém o controle acionário da Embratel,
Logo li no site da UOL o anuncio que o todo poderoso Bernie Ecclestone, quer um piloto Indiano correndo na F-1, já ano que vem.

"O tempo está ficando mais apertado com a chegada da F-1 na Índia (2011), algo pelo qual estou bastante entusiasmado. Espero que o Karun faça parte disso tudo. O lugar dele é na F1", opinou Bernie.

Queria ler sobre velocidade, sobre tecnologia de ponta, sobre maestria nas soluções aerodinâmicas, queria ler histórias das grandes escuderias, de suas cores, do roncar dos motores, dos projetistas, sobre resultados de testes em pistas, sobre as disputas por vagas nas equipes pelo desempenho nos testes, mas vi que nosso compatriota Bruno Senna pode ser contratado não porque foi o melhor dos testes da Honda, mas porque a SLIM, leia-se Embratel, comprará a escuderia.
Que um piloto Indiano terá que correr, pois a Índia é uma nação emergente, com dinheiro e mercado consumidor enorme, e terá um GP já em 2011, não porque é rápido.
Saber que os Grandes Prêmios de Cingapura, Abu Dhabi ( Emirados Árabes ) e Nova Délhi (Índia) serão os protagonistas de uma F-1 da época da recessão, da crise.
Que a disputa será entre “pilotos” de mercados em ascensão, representantes do Petróleo. E outros interesses comerciais.
Já se tem como certa a entrada da Rússia também no “novo” calendário.Novos tempos, velhas soluções imperialistas.
Perde o esporte, o esportista, o espectador.