domingo, 10 de outubro de 2010

Vadiagem

Muitas vezes o desejo se esconde, se faz de morto. Desaparece, com a falta de luz, com a depressão, como a sombra sem a luz do sol. E a gente chega a acreditar, pela doença, que se pode viver só. Mas se há vida, há libido. Se há pulso, pulsa o corpo, arrepia, provoca alquimia.

A língua que fala, lambe, alisa , tateia, invade, dilatando espaços e ditando ritmo.

Enquanto ela toca, implosões se dão, na espera sem lógica, do próximo ato.

Mora em mim a razão, como mora em mim a falta de razão. Que sonoriza, que orquestra, os movimentos, num balé de sussurros, sem frases feitas, regado a suor, a pele, a pelo, a excitação. Fico então....

A vontade imensa, derrama, transborda, inunda. Não consigo esconder o lado menino, moleque. Meus olhos, meus movimentos, são transparentes. Brinco, brinco, bolindo em teu corpo, ignorando o tempo, atingindo a exaustão.

Quero mais, quero você, descabelada, de pernas afastadas, em chamas.

Vulva, vulcão em erupção. Gemido, tremido, fatalidade da totalidade. Eu não sei me conter.

Me divido em dois mundos. Um mundo do umbigo pra cima, outro do umbigo pra baixo (palavras de minha falecida e amada amiga Marta Baggio)

E você lua, companheira da madrugada, cheia de crateras, buracos. Procuro te preencher, mas você quer mais, te bebo nas fontes, te penetro, te cravo os dedos, o desejo, o coração.

Perco minhas bordas, aonde apoiar minhas máscaras, aonde me segurar, aonde deixar a fantasia?

É como só comprar passagem de ida. Voltar pra onde??????? De onde????

Liberdade é a verdade que escondo, é o ser menino, é o se permitir brincar.

É o fascínio de vencer os medos.

De surfar nos líquidos, nas fontes, nas formas. De estar em pé, deitado, de quatro...esquartejado.

Nos carinhos e rituais secretos, cabem todas as vontades, cabem os poemas, as juras, nossa vadiagem.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eliane/Pelika

Sonho
sonho com um mundo melhor
Sonho
com um mundo menos carente
Sonho
sonho, sonhando...
Preciso parar d sonhar e agir
Mas como agir????
Please..
HELP!!!!!!
Bjnhos p tds
com carinho
Eliane/Pelika


Oi menina
Você não deve nunca parar de sonhar,
senão deixa de viver,
pois perde o desejo,
a vontade,
a luz dos olhos.
Temos que interagir com nossos sonhos.
Talvez não possamos beijar principes,
princesas.....,
mas podemos tocar o outro real,
sentir a pele,
o arrepio,
de quem vive ao nosso lado.
Talvez não possamos viajar pelas nuvens,
mas podemos pegar um onibus
e chegar aonde queremos.
A experiência nos alimenta,
nos permite valorizar
as pequenas coisas do dia a dia.
Que toquem as trombetas,
pois todos os momentos são importantes.
A solidão faz parte da vida.
Precisamos sempre conversar com ela,
conhecendo nossos medos,
nossas limitações.
Assim,
conviveremos com o meu,
com o teu,
com nossos sorrisos.
PLEASE,
respire fundo,
pois o amanha,
faz limite com o hoje.
Um beijo de esquimó.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Balanço Alternativo

Ando meio que fechado pra balanço, o que é bom, pois quando refletimos sobre nossas vidas, sobre o que buscamos, nos percebemos melhor. É um abrir os olhos, um olhar em volta, um respirar fundo, um reflexo do instante.
O que me angustia, é a repetição sistemática destes balanços. É como se procurasse um "balanço alternativo" ao que acabou de ser feito. É como se não me bastasse, não coubesse, no que vivi.
Existe uma distância bastante respeitável, entre o que somos e o que queríamos...entre o desejo e a realidade, entre o ser profissional e o ser individual....entre o amor sentido e o amor demonstrado.
Existe uma distância, como existe. Como existe o silêncio.
Convenço-me em reabrir as portas, para a vida, com um balanço digerivel, e tudo, e mais...
Igual a botequim, com novo dono, novo proprietário ou nova administração.
Com banho tomado, unhas e cabelos cortados, roupa nova e tudo. Tipo festa de reveillon, um recomeçar.
...reabrirei sem demora, A fila anda, a vida passa, e se acaso não for também, ficarei reclamando, como um velho chato comunista, da solidão.
Invisível e ocupante solidão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sem terapeuta

Vivo em uma terapia
sem terapeuta.
Com o instinto aflorado,
suando nas percepções,
com grandes emoções.
Caço alegrias e amores.
Sou tristezas e perdas.
Tudo vem de forma forte,
intensa, bolindo comigo.
Vivo a contradição
de não terminar
uma sessão de análise.
De não retornar a vida,
após o fim do horário.
Consumo um sorriso choroso.
Fica impossível
o relacionamento comigo.
Sofro de ser "sencível" demais.
Pouco me vejo
em meio ao tudo.
Respiro fundo,
olho ao longe
e espero por alguém,
que não chega.
Vontade de dividir um beijo,
um amor,
carícias eternas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Gnomo

A ansiedade me pega
enquanto te espero.
Quero te ver, sentir.
Tirando-a, do sério
em pura provocação.
Sacar-te todas as peças,
todas as cores,
vivendo um arco-íris.
Em dias chuvosos
fico assim.
Meio Gnomo.
Escrevo com o corpo
exponho-me ao perigo,
do libido.

Eu-nimal

O que eu não falo em palavras
tento demonstrar nos atos
senão fico jururu.
Os lençóis da vida
revelam outros de mim.
Em um “nós”
que poucos reconheceriam.
Aconteço apimentadamente
no cotidiano.
Ardo em mim,
ficando vermelho.
Me atrai
o glamour da sedução,
Resgata
meu lado bruxo,
o enfeitiçar,
meu lado eu-nimal.
A vontade da vadiagem,
de trocar bala nos beijos
de tomar banho junto
brincando na criancice.

Fugindo da formalidade

Desmistifico os horários,
fico por toda a noite,
aconteço,
sou o sol da madrugada.
Transformando o abstrato.
em sensações.
Estou dentro
e em chamas,
Vivo o pecado,
escorro por seu corpo,
em meio ao cansaço.
Minhas palavras estão na pele,
sem forma,
sem o peso “das verdades”.
Poetizo minhas vontades
e minhas lambidas.
Te escrevo em poemas,
fugindo da formalidade.