terça-feira, 5 de junho de 2012

Aqui de novo


Aqui o céu,
de peito aberto.
Aqui à noite,
noite convidativa,
convidativa a madrinha
de longos papos.

A lua, 
maravilhosa
em sua magnitude e simplicidade.
Cheia de charme.

Vontade de nadar em sua direção.
Vencendo distancias inexistentes.

Aqui o céu,
aqui a noite,
aqui de novo
meu latente desejo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Densidade nos passos.


Caminhava
por um cenário familiar.
Muita gente,
como os centros sempre são.
Carruagens que passam,
carregadas de “corpos vivos”,
que até falam,
mas em ruídos.
não decifrados.
Lembranças de procuras,
correrias,  encontros
e até gostosas chegadas....
O  tempo estranhamente
roubou-me a direção,
a bússola do desejo.
Segui  então o vento
na tentativa de decolar.
Rio de Janeiro, e eu, 
até a Biblioteca Nacional.
Aí, o vento trouxe o arrepio,
um sorriso maroto
de canto de boca.
Senti densidade nos passos.
Magia em caminhar.
Vontade de continuar.

domingo, 20 de novembro de 2011

A última peça

Uns se sentem confinados. O assunto preferido é sobre a data prevista para a saída.
Sexta feira passada vivi o oposto, o velho Barbudo, com roupa de guerrilheiro, me confessou sobre sua angustia, sobre ter ficado acordado, na expectativa de não conseguir agüentar a barra lá fora.
Um homem calado, sentado nos cantos, de olhos fechados, mas acordado.
São dois tipos de personagens, no mesmo campo de refugiado, que vivem diferentes perspectivas.
A dor se equipara a ferrugem, pois corroi aos poucos, no silencio, até o rompimento da alma.
No instante da explosão, do protesto, da indignação, do desespero, da falta de saída, pode-se desejar e buscar a morte.
O que não se pensa é que lhe tirarão o direito de acordar no dia seguinte.
Tem coisas na vida, que não voltam atrás,
A morte é meio assim. A última peça.

sábado, 19 de novembro de 2011

Alice

Esta semana Rebecca, minha filhota mais velha, comentou-me que Alice, minha 2ª filhota, recém casada, estava vivendo um processo depressivo.
Foi como um enorme e mortal soco recebido.
Sei o que é dor. Como sei.
O nada sem fundo, sem cor, apenas com o som do atrito imaginário, de não passar em lugar algum.
O despencar de algum lugar, sem ter aonde se pegar, se apoiar.
Despencar sem saber por quanto doerá o pavor É algo contigo, não concreto, pois tudo continuará como antes
Perceber que uma mão estendida, passa do difícil ou impossível de percebê-la, apesar dela estar lá.
Dói tanto, mas tanto, por não conseguir fazer nada, madinha para minha filha não sentir aquilo. Quero substituí-la.
Passamos a nos falar todos os dias, apesar das sombras, das dores, estarem presentes,

Aqui na Clínica

Aqui na Clínica,
nossa percepção
das coisa mudam.
O papo das terapias,
a contenção,
e seus desdobramentos.
O silencio,
as visitas esperadas,
as visitas sociais,
as visitas que se foram.
O engolir seco,
o choro contido
ou o não contido no quarto.
O medo dos telefonemas
a forma e a obrigatoriedade
das respostas lógicas.
Não falo de todas ligações, e seus MSNs
Falo das que sempre posei de lógico.
Gostaria de poder falar,
e ser ouvido.
Afinal nunca me permiti a viver
dentro de minhas limitações,
Sim, gostaria de curti-las,
aprender até aonde posso dar o próximo passo.
Nem que infelizmente seja sozinho.

Parar de fumar

Começa amanha, uma campanha nacional pelo fim do tabagismo.
Bem legal. Lembrei-me de Cavadas, diplomara e médico, amigo da família.
Certa vez em uma festa lá em casa ele novamente era o centro das atenções. Trazia da Europa uma cigarreira linda, acho que banhada a ouro, modelo bem clássico, que tinha como diferença das demais, além da beleza, um timer, que você programava, decidindo o tempo em que ela viria abrir novamente..
Foi um sucesso. Colocou-se o tempo de 3 minutos e ela abriu normalmente.
Depois do show, Cavadas a programou para 1 hira.
Pronto o 2º ato estava marcado.
Sem perceber, como fumante inveterado, foi com a mão ao bolso e lembrou-se que faltava mais de ½ hora ára que a mesma abrisse, rsss.
Ele tentava de todas as formas reabrir a cifarreira, e todos riam.
Derepente enfia a mão em outro bolso. Saca um outro maço de cigarro e afirma a todos presentes ”vocês acham que sou bobo, tenho sempre outra carteira como sobressalente no bolso”.
Foi um riso único.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Escrevo,
apesar de saber que não me lerás,
mas fica a sensação
de que poderei laçar sua sensibilidade.
Seus movimentos, sua rebeldia.
Vivo o dia 11/11/2011.
Algum instante cabalístico,
ou simplesmente algum instante...
... insinuante.
Gosto quando você não se cotem,
Koiza de capitão gancho.
Paixão.
Começo nadando,
e sigo
tecendo seu corpo.
Tratando-o pelo avesso
Assustado-o pelo novo.

De mão molhada,
a certeza que tudo recomeçou.
Puro medo de se entregar.