quinta-feira, 3 de julho de 2014

ACEITO



Não queria,

mas aceito

por puro desejo

por pura emoção.

 

Aceito um pedaço

de nosso assanhamento,

com recheio amanteigado

e cobertura chantilizada.

 

Abraçamos a espera

e beijamos o momento.

Sensações inocentes,

de noites incandescentes.

 

Como tá rolando

é impossível

não sonhar com você,

não inspirar o luar.

 

Morreria

no seu beijo,

sob a tortura,

de tanta ternura...

 

Com febre de amor

tomo um chá

de cha-mego

docemente adocicado.

 

Com cócegas

no coração

meu sorriso é poético,

minha esquiva é procura.
 
 

“ATRASOS”


Vivo uma melancolia crônica. Faz parte da minha vida, da minha doença, do meu meio show de improviso.

Muitos não veem, não percebem; é que os olhos são “pequenos” em meio a tudo, a um corpo, ao desejo que se pode enxergar. Aí passa batido, a solitária lágrima, o pequeno soluço, o olhar de socorro...

Aí tentei o inverso. Tornei-me reflexo de mim, aparentando quem nada quer, quem tudo pode, resolve, descobre. Quem desrespeita a razão, a lógica, quem “não tem” preço, ou apreço pessoal.

Descobri com o tempo de terapia, que meus desequilíbrios sempre foram motivo de “exaltação e qualidade” para os outros.

Meu não dormir, permitia mais trabalho, mais produção, num horário sempre mais alongado, mais espichado, em dias de cansaço, sem fim.

Minha inquietude, sempre me fez aceitar e carregar tarefas dos outros, como se fossem minhas, numa agenda interminável, e “exaltante”, aonde o prazer nunca passou perto. Aonde a “ajuda” era obrigação, invisível.

O ser “poeta”, ultrapassou a escrita tornando-se um personagem, uma outra pessoa, que fala de alegrias desejadas, prazeres não vividos, de princesas longínquas, de amores e encontros, de vinhos e cafés, que habitam um querer comum.

O que existe, é um gato borralheiro, que lava, passa, cozinha, dirige, corre, paga contas e sonha com as festas da revolução, com a queda do regime, com outro mundo possível... Existe um ser só. Num mundo próprio.

Uma pessoa que passa sem ser notado. Que é um telefone agendado, para se trocar uma lâmpada, para se legalizar um documento, para se justificar e arrumar algumas pendências.

Alguém para se ser encontrar no facebook, e trocar mensagens.

Para se deixar os “netos” no final de semana, porque ser pai, virou ser motorista, ser offboy.

Mal sabem que faço deste encontro com meus netos, mágica, um caminho interplanetário, sem regras ou réguas, um mundo de curvas...

Carrego as contradições de uma vida, de um abandono, de grandes saudades, de escolhas “de coração”.

Hoje já sei o que seria o equilíbrio, mas como sempre me dei por demais, talvez querendo receber um pouco em troca, simplesmente vivo o sintoma da doença.

Desde o câncer, o poeta é bem presente. Fala o que não falo, porém em um outro lugar, diferente do que vivo. Um lugar virtual.

Nunca tive muitos espaços para mim. Chego a me assustar com o desejo, com o homem que sobrevive, e quer continuar desejando, procurando um grande amor.

Dar ao wellington poesia, e ao poeta uma história de vida, é a busca.

Procuro um porto para atracar, viajo a muito tempo, Preciso avistar terra firme, e chegar. Ser parte, ter um lugar.

Navego como um viking, fora de seu tempo, no vazio do mar. Talvez aí a explicação de sempre falar sozinho.

Esta tristeza, vem e vai, em espumas, numa sensação de euforia e infelicidade, numa crise extrema de bipolaridade.

Procuro novos rumos, senão morro em mim; corro em mim, pois já aprendi, que na vida, nem os “ATRASOS” costumam esperar...

Parabéns


A secretaria da casa do pai chegou agora, depois de um mês de férias.

Aparentemente ótimo, porém na prática, perco os espaços que conquistei, como o silencio e privacidade da mesa da cozinha.

Fica de novo a sensação de uma casa bbbbbbbem menor. Sem um canto, sem um banco no jardim das minhas flores, da contemplação do tempo.

Mas junto a isto existem vitórias, poderei me ausentar desde a chegada dela, até o remédio das quatro.

Poderei virar turista, gringo em meio a euforia da copa. Treinar meu inglês, me engraçar com o mar.

Hoje é o aniversário de minha filha Alice. E eu que tanto queria estar com ela, mais do que só nesta data, e sim numa reapresentação de coração.

Me dói ver nela, choros sem controles como os meus. Lágrimas que a secura do tempo disfarça, mas que deixam tatuagens no coração.

Vontade de retornar pro meu canto, pra minha casa, pros meus horários, para as minhas possibilidades, de (sobre) vivências...

Sinto falta da terapia. De ouvir, de saber que as pessoas têm a beleza da fragilidade, da transparência, do soar marcante do som de um cristal.

Sim, de ver e sentir o outro como uma peça unicamente leve, linda gostosa e agradável de conviver, mas com a consciência que tudo quebra, que o belo se desfaz.

Feliz aniversário minha filha. Que o tempo eternize suas alegrias, que seus olhos deem vida e forma a seus desejos.

Um beijo de quem te ama.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Como assim?


Você é meu mungunzá,
minha farofa,
ardidamente apimentada.
 
Meu doce de leite;
um vinhozinho
da safra “nos beijamos”.
 
Desperta em mim
um canibalismo
de desejos.
 
Um ataque
do coração,
um infarto em paixão.
 
Volto a mim
e aos poucos
retorno a pura transe...

MEU PAR




Tento dar olhos

ao coração,

dar voz ao silencio,

suspiros a escuridão.

Faço brincadeiras

com a solidão.

 

Começo a falar,

cantarolar soltas melodias,

e me solto,

numa dança leve,

até encontrar meu par,

a emoção.

 

Muitas vezes choro,

copiosamente...

Outras vezes choro

em leves sorrisos,

mas sempre

sem conseguir me conter.

 

Sempre a bordo,

do dia a dia,

transbordo-me

no fascínio

das erupções

de vidas, descalço.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Caixa da Caloi




Passear por Ipanema

é tão “lindamente” cult,

passa gringo com morena,

juventude em procura

uma vida entre “aspas”.

E na caixa da Caloi

largada na calçada

dormia um herói,

um estrangeiro “nacional”;

protegido,

do frio social.

Quem sabe,

por onde pedalava

nos sonhos

mais íntimos...

Aonde chegará

sem as “aspas”

das oportunidades...,

sem café,

sem a manha

das manhãs...

AMBROSIA



Há quem se assuste

por meu desejo

em melancia.

É que acabou a ambrosia,

e lambuzado

me banhei em poesia.