terça-feira, 14 de outubro de 2014

B R U M A R



Que a gente
desmaie juntos,
descansando  o olhar safado
e pidão da madrugada.

Vontade de acordar
pra deitar de novo,
e repetir,
o “brumar” cumplicidade.

Quero te beijar
de boca dormida,
com gosto de amor
da noite passada.

Me esfregar
no corpo suado e melado,
viver o olhar ramelento
do amanhecer juntinho.

Misturando meus sabores
e odores aos seus,
numa química explosiva
de codinome desejo.

Toque de pés
são convites,
a andar juntos,
arrepiadamente juntos.

sábado, 11 de outubro de 2014

Sorvete com cobertura de Luar



Quando a falta aperta,
na madrugada,
me sirvo de sorvete
com cobertura de luar,
beira a perfeição.

Imagino aí
uma visita sem cerimônia,
aonde nos desarrumamos
na emoção do sentir
o doce do encontro.

Palavras transformam-se em abraços
e tudo fica elétrico.
O corpo acorda
ganhando movimento,
é quando o olhar faísca.



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

M A D R U G A D A


De noite 
o tempo 
tem outro tempo. 

Não e medido 
por relógios, 
mas pelo tamanho 
da ansiedade. 

Pelo volume 
do desejo,
compactado. 

A madrugada 
enfraquece a gravidade, 
muda a densidade, 
destrói a vaidade.

Então aflora 
nossas simples 
e verdadeiras vontades. 

Na madrugada, 
é o luar 
que nos alimenta,
na espera do amanhecer.

Voo da Paz


  
O que busco
é encontrar-te
para eternizar
o voo de intimidade.

Na aproximação dos olhares,
na intensidade do suspiro
fazer parte de seu abraço
de coração escancarado.

Não sou poeta,
simplesmente vivo a poesia.
É diferente
no tempo e no delírio.

Quero lavar louça em sua pia,
esbarrando em você...,
bolindo no seu sorriso
brincando atrás de ti.

Lamber o desejo
de não fazer nada juntinhos,
abraçadinhos e nas mãos dadas
na vontade da procura.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

H o u v e um t e m p o em que t e n t e i, h o j e "s ó" i n s i s i s t o.



A existência, a perspectiva de grandes variantes, nos faz confundir projetos de trabalho, de realizações sociais e físicas com procuras pessoais.
São regras, casamentos, testemunhas, fotos para perpetuar uniões em reuniões, “acordos” de felicidade eterna.
Agora até a fidelidade on-line é cobrada. Falta um chip, ou um detector de desejo, para enquadrar o “outro” no que ninguém se enquadra. No que só a morte pode conseguir, o fim da vontade.
Já é madrugada e a capacidade de visão diminuiu. Então o “TUDO”, o “PATRIMÔNIO” sumiu. Aqui vemos o que sentimos, o que levamos, o que temos, seja ele um momento de transbordar-se ou um vazio enorme. É você versus você. Não da para mentir.
Ou alguém vem se acomodar nas suas curvas, entre pernas e braços ou a tentativa será “encontrar-se” entre os travesseiros.
A lua poderá ouvir nossos gemidos de prazer, ou se assustar com choro que se avoluma, na densidade do tempo.
Vamos viver juntos o que dá para viver, no que nos dá prazer.
Deixa eu te amar, minha liberdade está na permissão do coração, no sonho de te ter.
Afogar-se na expectativa, de idealizar uma relação, que nem meus pais, nem meus vizinhos, nem meus amigos, viveram é loucura ruim. É doença.
Nosso encontro se dará na possibilidade do desejo, nem que seja via telefone, mensagem, telepatia..., rala e rola.
Vale o que nos alimenta. O que nutre, o que é capaz de dar brilho ao olhar, sorriso aos lábios, leveza ao suspiro, sonhos embalados ao deitar.
Meu segredo, está em seguir o coração, no empinar as emoções, nos olhares docemente imantados.
A distância física ou não, pode se medir pelos passos, ou pela rotina, ou pelas impossibilidades de cada um. São distâncias. 
Aí então, tentar encaixar modelos ou receitas de relações da Ana Maria Braga, não da. Nada se encaixa nas dificuldades mutantes de cada momento. O ruim é desistir, de ser feliz. 
E vem a oposição infeliz, ou o moralismo do sistema, que habita o medo do desconhecido, e te acusa de “relação aberta”.
Eu só te falo, que te quero de qualquer maneira, desde que seja na magia de nosso desejo, independentemente de suas manchas no pescoço, do dia de ontem ou de anteontem. Se nossos beijos forem eternamente inteiros, se nossos abraços atingirem o coração, se a cumplicidade nos der a direção, o apoio no céu, nos pontos cardeais.
As carências vividas, são da vida.
Enquanto uns preocupam-se em juntar as “perdas”, outros até sem aparência de artista, mais apaixonados, pedem um tempo, para perderem-se nos "ganhos" de se dar, de amar.
Sou míope, aí a gente acaba vendo a vida que acredita, em imagens românticas e adocicadas. 

Abdicar do que sinto é como remoer expectativas sem busca-las, sem 
vive-las. Aí baterá tristeza, melancolia, no bater do coração.
Sejamos felizes, ao ser cúmplices do desejo.
Cúmplices da procura na procura.
Meu coração é liberdade, perdi o medo de amar engessado. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Eternidade pra que?

Se busco na prática a C O N T I N U I D A D E do que sinto.

Preparar o que vamos comer, preparar o hoje e o amanhã, preparar o que nos proporciona prazer.
Chego em um momento que não me preocupo mais com a durabilidade, com a eternidade do que vivo.
Já quis até atingir isto, tentando abraçar o mundo, mas num momento de cansaço, percebi que se conseguisse a eternidade dos meus momentos, dos meus prazeres, aonde colocaria tudo, como administraria, e que tempo teria para as outras grandes procuras...
Já percebi que não é por aí. Tentar, insistir só leva a uma tristeza profunda, a um sentimento de incapacidade. 
O tempo vem, e te aperta, nas horas, nos dias, nos anos e na incapacidade de viver este volume crescente que é desejo.
Se despedir sem se despir, vira formalidade, se perde totalmente. 
As vezes falta um celular para avisar.
Hoje vivo um sentimento forte do agora. Os planos são mais curtos, pois as certezas estão na dinâmica do momento, em cada ato, em cada resgate, no vento que bate no rosto molhado, nas raízes do passado, na certeza da presença em um "só" lugar.
Não me preocupo com a estrutura espacial do futuro.
O futuro é um segundo à frente do meu tempo. Faz limite com o presente, se integrando ao passado, me deixando adoentado.
Continuo projetando o viver com a mesma intensidade dos sonhos que sempre carreguei, porém limito o sujeito da felicidade, ao ser o ator escalado para o dia. Ao militante determinado. A um homem apaixonado.
O show continuará, as buscas continuarão, mas na continuidade da apresentação do dia a dia.
Os aplausos futuros, serão futuros, os ouvirei a distância, ou gravarei na memória. Nos segredos da memória.
Aplausos são aplausos. Fazem eco. Preenchem um grande vazio.
Não busco mais a eternidade. Sou completo na continuidade do meu querer, na continuidade de meu coração, e do tudo que foi vivido, na rebentação das emoções.
Continuarei nos aplausos, na continuidade do eco das palmas, dos murmurinhos das esquinas, dos gritos de luta, nos poemas e nas noites de lu@ cheia... 

APELIDO



Carinho nunca é demais,
vai brotando e crescendo
até não caber
em “poucos” instantes.

Ouço o grito
do silencio,
que da linha
aos voos do coração

Na troca de olhares
avolumo os sentimentos.
E com a boca  da fala
abocanho meus desejos.

Nas carícias
do contato
encontrei a procura
que apelidei de amor.