segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Fico pela madrugada

Sempre que posso, acordo e busco lápis e papel.
Borracha não existe, rs.
Tento perceber o que restou de meus sonhos.
Capto as riquezas das informações, mesmo que não sejam lógicas, ou contínuas.
Colho fragmentos de vida.
Como um agricultor, que sobrevive da terra.
Pois certamente, ali teremos “flashs” da realidade,
os desejos e vontades,
um mundo sem tantas lógicas,
aonde o tempo e o espaço,
não tem a cronologia do dia a dia.
Buscamos pedaços de um quebra cabeça.
A última figurinha de um álbum difícil.
Fico pela madrugada.

O que esta acontecendo...?

Tenho um acordar prazeroso.
Espreguiço meu corpo.
Alongo a alma.
Percebo o cantar dos pássaros.

Os raios de sol
de forma tímida
rompem a bruma do amanhecer.

As cores saltam ao meu redor
A graça
parte dos movimentos.
A leveza,
se faz sonora.

Canto a vida,
bebo o dia,
bailo a noite,
transbordo alegria.

O que esta acontecendo...?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Rainho

Circulo pela cidade
Inspiração de tanta calma
Seus verdes, espaços abertos
Entram por minh'alma
o cantar dos pássaros
travessos a brincar
palco de melodias
projeto de cidade espetáculo
um parque dito “feliz”.

Minha voz,
meu eu cantor
trazem para as ruas
as melodias que amei
o rock and roll
que já dançei
todo perfume que inalei.

Eu quero poder fazer
Das falas de pé de ouvido
Das vozes que guardei
Dos gritos que soltei
Meu ritmo, meu sorrizo.

Pedaços de luar
Espaços a beira mar
Porcelanas de uma vida
Profundesas de um olhar

Minha timidez
me cala.
Exponho-me em pequenos atos
em um palco de vida
personagem da história
de um raio de sol.
Rainho.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mudas do Zezinho

Meu avô Zezinho me repetiu algumas histórias de seu pai, Comendador Rainho, diversas vezes.
Achava graça naquilo, na falta de lembrança dele, na necessidade de relatar suas experiências, que aprendeu com seu pai, mas sempre parava e prestava muita atenção.
Tínhamos um sítio no Bairro de Deodoro, Rio de Janeiro. Fui algumas vezes lá. Tenho a ideia de um grande aquário de peixes, externo a casa, vidros tomado por lodo. O da frente rachado, mas adora observar, acompanhar a movimentação.
Da casa grande, das suítes externas ´( abandonadas ) que meu bisavô idealizou para seus filhos, que nunca as ocuparam.
Da descida que levava a estrebaria, em um patamar mais abaixo da casa etc.
Não esqueço de um banho gelado, na última vez que fui lá, o Comendador já tinha falecido, a casa do sítio já com poucas coisas, cada filho carregou o que quis, e meu avô Zezinho mandando que me lavasse direito, especialmente o “pinto” e o “bumbum”, rsss.
Certa vez o Comendador encomendou mudas de uma árvore de Portugal, falava entusiasmado de como eram lindas as cores que as folhas durante as quatro estações apresentava.
Queria que plantassem por toda a estrada de entrada do sítio, com o objetivo de fazer um corredor, até a casa grande.
No meio a tanta empolgação, meu avô estava admirado, pois conforme seu pai, a tal árvore levaria uns dez anos para ficar madura, adulta.
Então questionou:
“...papai, o senhor acha que vale a pena esta despesa, pois já estamos velhos e esta planta necessitará de mais dez anos...”
O Comendador ficou sério, e em seguida falou:
“...meu filho, compre as mudas, se nós não as vermos, outros verão...”
Os dois já faleceram, meu avô Zezinho quando tinha uns 18 anos.
Então fiz um exame de rotina na Câmara de Deputados, pois estava preste a completar 50 anos.
O médico me chamou assustado, e de forma didática informou-me que estava com câncer no rim direito.
Perguntei o que teria que fazer.
Foi enfático, afirmou que teria que retirar imediatamente o rim, pois se o tumor saísse do órgão, poderia se alastrar por todo o corpo.
Perguntei sobre o tempo que tinha.
Então me explicou, era junho de 2007, que se não o fizesse rápido, não curtiria mais o próximo carnaval, de fevereiro de 2008.
Estávamos em processo pré-congressual do PSOL, que decidiria a nova Direção Nacional do Partido, a ser realizado no Rio de Janeiro.
Fiz as contas, ganho o Congresso e depois opero.
Apaguei o problema da cabeça, corri, agitei, falei, negociei, ajudei a construir a maioria.
Dito e feito.
Fomos vitoriosos.
Deixei pronto um desejo, um sonho.
Corri então atrás do prejuízo, operei em 15 de agosto de 2007.
Não brinquei o Carnaval de 2008, mas porque não quis.
Hoje fui ao médico, Dr. Cláudio Venâncio, e combinamos algumas coisas:

1. farei agora tomografia com contraste
2. em tudo normal, perco peso por 3 meses
3. realizo uma nova cirurgia com colocação de tela no abdômen

Promessa de ficar 90% do que era.
Gostei da promessa.
Gostei das mudas de meu Bisavô.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Odelita

A claridade me acordou. Estava sonhando, eram duas pessoas, em quartos separados, me pedindo para entrar em uma cozinha.
Levantei então. Aos poucos fui percebendo que as senhoras eram minha avó, Roma, e Odelita, meia prima, meia tia, meia vó, meia família.
Não acordei com fome, nem elas eram de comer muito.
Fui me ligando, tentando resgatar do subconsciente mais dados.
Percebi depois que a cozinha era de um clube, da Asefe. Elas nunca foram a este clube, rssss.
Mas retornei a Odelita, voltei no tempo.
Lembro-me de um domingo à tarde em que meu avô colocou os cinco netos a desenhar.
Distribuiu papel e ofertou alguns lápis de cor.
Esta era uma estratégia boa, pois ficávamos calados, querendo todos dar o melhor de si. Anne, a mais velha, sempre detinha a melhor pintura.
Todos corríamos, copiando seu estilo, e tentando alcançá-la.
Estava desenhando uma casa, num gramado, uma árvore, com um belo sol e nuvens. Nada menos criativo, rsssss.
No meio da coloração Anne deu um ataque de que nós, os outros, estávamos usando seu conjunto de lápis de cor.
Correu de forma autoritária e recolheu os lápis.
Aquilo criou um rolo danado, com choro, lágrimas, etc.
Logo meu vô Zezinho correu nos trouxe outros lápis.
Chris, Wayman e Eliane logo se satisfizeram.
Continuei a chorar, de forma mais aguda, pois a tonalidade das cores não eram as mesmas.
E tinha a noção de que em uma pintura, como a de Anne, os contornos e as cores teriam que ser bem definidas e homogenias.
Chorava convulsivamente, como se o mundo tivesse acabado. Ninguém era capaz de acabar com tanta tristeza.
Depois de todos tentarem, e desistirem de mim, Odelita se aproximou. Estava já com o rosto inchado. Tentou abrir um diálogo. Não aceitei. Então de forma didática pegou meu desenho e com traços e cores foi me proporcionando a sensação de que as cores e as formas exatas não tinham importância. O conteúdo de uma pintura estava no conjunto, na sensação da forma que era criada. Que nas sombras, nas variantes dos traços e de tonalidade se encontrava o que se queria. Que dali surgia o vivo, nascia o diálogo, brotava a vida.
Aos poucos tomei um lápis, dei os primeiros traços, cores, perdi-me no papel, pois todos os lápis eram divinos, mágicos, únicos.
Ela se afastou sem nada dizer.
Não precisava mais desenhar o relógio da sala, ou copiar paisagens.
Bastava me soltar, e deixar rolar.
Nunca mais disputei com Anne ou com mais ninguém.
Afinal, Odelita me ensinou.
Odelita me inspirou, na vida.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Overdose Taliban

Com a lua acordo
Querendo me drogar
Buscar nos seus beijos
Loucura, alucinar

Na cama, no fogo
Arder te cozinhar
Sentir que me ama
os corpos a agitar

Então desejos...
Suor e manejos...
Transformo-me em arrepios
Teu corpo em assobios

Desejo e seus seios
Delírio a envenenar
Provar outros beijos
Meu corpo agitar

Te quero me arranha
Mulher hortelã
Me morde e assanha
Overdose Taliban

Viva a vida

Regina escreve:
Eu tava pensando enquanto descascava as batatas para o almoço: tá, tudo bem que a Maysa cantava muito bem , foi rebelde para a época etc e tals, mas daí a considerar um exemplo de mulher, de vida e de pessoa vai longe, heim? Ela gostava de uma maguaça lascada, fumava sem parar, não tinha tempo pro filho e ainda era mimada e agressiva.
Outro que endeusaram foi o Cazuza, com direito a um filme de longa metragem para mostrar todos os seus feitos em vida: drogado, irresponsável e mimado. Compunha músicas boas? Sim, compunha, meio chapado, mas compunha.
Esse só poderia ser considerado um exemplo: o MAU exemplo.
Evidente que a vida de uma pessoa batalhadora, de bem, com caráter não faz sucesso, é maçante e entediante, mas, então, vamos deixar claro que muitas figuras populares não merecem ser imitadas* e nem dá prá ficar tirando lição de vida ou qualquer outro ensinamento das suas atitudes.
E agora, vou terminar de descascar as batatinhas.....

Wellington comenta:
Infelizmente tive compromissos na hora de Maysa e não vi a mini-série. Mas pretendo ver ainda, já estão vendendo o CD.
Realmente existe uma grande contradição mesmo com a questão da sensibilidade, da criação, das experiências vividas ao extremo, com a realidade.
É possível viver de forma feliz e intensa sem se matar, sem se drogar, sem se afastar das maravilhas de um mundo real.
Olha a Cassia Eller, quando explodiu pra vida, se implodiu junto.Infelizmente perdemos pessoas com um potencial enorme, que marcaram sua época.
Infelizmente....

Regina pondera:
Quando falo que algumas pessoas não servem de exemplo de vida, não é por moralismo ou conduta.
Eu particularmente me simpatizo com os debochados, os rebeldes, os sem-noção, os que fazem diferença....
Quando eu digo que não são exemplos eu quero dizer que a vida dessas pessoas é difícil, é dolorida e sofrida. O bom mesmo é ser feliz, mas prá isso é preciso ser muiiiiiiiito sem-noção kkkkkkkkkkkkkkkkk nem sei porque estou falando isso aqui, deveria estar respondendo no blog, mas eu resolvi passar por aqui...fazia tempo que não mandava um scrapbook hihihihihihi.
beijos nonsense*

Wellington comenta:
Os debochados, os rebeldes, os sem-noção....tbm simpatizo, são ótimos. na noite, nos bares, na vida.
Na realidade aprendi que é entre estes pares, neste setor da sociedade, que poderiamos buscar os amantes da revolução socialista. Entre os alegres, os vivos, os de atitudes, que dançam, que jogam, que amam e se arrepiam, que choram e reagem perante as injustiças, estes nós recrutávamos.
Falamos de amor, de beijos, de um mundo aonde o meio ambiente será respeitado, aonde o brilho nos olhos será comum. Aonde a qualidade de vida, o respeito, será o motivo da vida.
Convidamo-os a juntos construirmos um novo mundo. A ter um instrumento próprio, que é o partido.
Imagine, se nos anos após o golpe militar, nossa juventude fosse detida como bêbados e drogados. Eles não fariam a diferença.....como fizeram. Não era fácil fazer esta discussão, nem é hoje ainda, pois como vc mesmo diz, a questão não é moral, mas de sobrevivência, pois tbm citando vc, “ acaba difícil, é dolorida e sofrida...a vida dos sem-noção”.
Viva os poetas, os surfistas, os músicos, os dançarinos, os artistas, os sonhadores, os revolucionários.
Chega de perder gente boa.
Viva a vida.