terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O bloco é o Pacotão

Mês ofegante,
Carnaval,
atos desconcertantes
sincronia no conjunto
no desejo
ritual exuberante.

Canto a agonia
em impulsos rítmicos,
extravaso desejos
viajo ao limite.
Meu, teu, nosso...
neste bloco mestiço.

De suor
e corpos
sem nomes.
Me faça engolir
a lógica.
Quero existir.

Me abraça
não vou me acorrentar
a gente vai estar
no eixo da pipoca.
Me segue folião
o bloco é o Pacotão

Rola de tudo,
bate no pandeiro,
quase tudo,
viagem de avião,
instante eternidade
do samba pé no chão.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Profissão do papai

Era mais um domingão com reunião de família, estava com todos meus filhos presentes.
Muita comida, risos e brincadeiras.
O assunto foi rodando, rodando até que comentei um problema que Bárbara, minha filhota, na época com uns 8 anos, ela é de agosto de 1993, teve na escola.
A professora começou a trabalhar a questão da família.
Perguntas aparentemente fáceis para qualquer uma das crianças presentes, pois questionava sobre a estrutura de cada um deles.
Nome dos pais, avós, irmãos, etc.
Chegando a vez de Bárbara, a professora indagou quantos irmãos ela tinha, foi clara na resposta, “não sei direito professora.”
Bárbara:_Mas tem uma que mora no Rio e outros dois que moram em outra casa e o Breno comigo.
Isto é normal minha filha, comentou a educadora.
Professora:_O que a mamãe faz?
Bárbara:_Ela é professora tia.
Professora:_E o papai?
Bárbara:_Ah, o papai não sei.
Professora:_Ele esta desempregado?
Bárbara:_Não tia, ele trabalha muito.
Viaja sempre, vai muito pro Rio, pro Maracanã.
Professora:_Ele joga bola?
Bárbara:_Não, detesta futebol, ele fala muito pelo celular, viaja muito, sempre tem dinheiro, brinca com a gente e não tem horário de vir e ir.
Cada dia ele aparece com um carro diferente também.
Preocupada a professora encerra a conversa e envia um pedido da ida dos pais a escola.
O que ocorreu, e enfim puderamm me "indentificar", rsss.
Então no meio a risos de todos que ouviam a história, minha filha Alice, nascida em 1983, no meio a gargalhadas afirma na frente da roda:
“Pai, eu também nunca soube o que você faz direito....”
O kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk foi geral.
Então a partir dali, defini minha profissão, para não deixar meus filhos constrangidos perante a vida.
Sou um Vendedor de Sonhos, podem espalhar mundo afora.
Primeiro houve certa rejeição de todos a minha afirmação, isto não existe pai, mas com o tempo eles foram aceitando e curtindo a profissão do pai, diferente dos demais.
Hoje esta questão esta resolvida, rsssss.
Que bom.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Sem sandálias no TSE

Fomos para o TSE ( Tribunal Superior Eleitoral ) contentes, afinal daquela vez estava tudo em cima, tínhamos quase uma hora e meia ainda para o fim do prazo.
Eu e Índio conversávamos animados, pois pela primeira vez não havia tensão nem stress. Tudo aparentemente perfeito.
Chegamos de forma leve e alegres na portaria, brincando com as meninas, prontos a nos identificar.
Foi quando percebi uma senhora, parecia chefe da seção, esticando o rabo de olho em minha direção.
Não podia imaginar do que se tratava, até que ela de forma seca e sem muita conversa afirmou:
“ Meu senhor, é proibido entrar de sandálias de couro neste Tribunal”
Retruquei ainda de forma tranqüila, pois afinal de contas tinha o camarada Índio de tênis ao meu lado.
Minha senhora, estou cansado de entrar aqui desta forma, as meninas já me conhecem.
Então ela de forma enfática respondeu:
“Se entrou não entra mais. Tenho o regimento interno em minhas mãos, ele é claro nesta questão”.
Sorri, cocei a barba e tranquilamente falei a todas elas ( Índio já estava em pânico a meu lado ), vou contar uma história pra vocês.
Eu era meninote, meu pai trabalhava na Presidência da República e íamos de carona em um avião da Força Aérea Brasileira para o Rio de Janeiro. Creio que eram férias de final de ano.
Malas embarcadas, e todos na fila de embarque, que já andava.
Uma senhora muito elegante a nossa frente, de terninho e calça verde água, foi abordada pelo sargento, que coordenava o embarque.
“Minha senhora, falou o Sargento, infelizmente não é possível seu embarque na aeronave pois o regimento interno da aeronáutica não permite senhoras de calças compridas em nossas unidades. Peço a gentileza de que a senhora troque de roupa imediatamente.”
A jovem senhora ponderou, “mas como meu senhor, se a minha mala já foi embarcada, só tenho aqui a roupa que estou vestida.”
Sendo fiel, ao regimento, e exercendo seu papel de autoridade máxima no local, o sargento decretou: “ a senhora então saia da fila, pois não irá embarcar”.
Criou-se uma comoção geral no local, todos estavam ao lado da senhora, que absurdo seria cometido por aquele cidadão, representante do “estado”.
Foi quando de forma espontânea e recheada de sarcasmo a linda senhora deu fim ao caso. “ Resolvida a questão sargentão, e com um movimento rápido, tirou as calças, ficando só com o Blazer do conjunto ( e um par de pernas maravilhosas de fora, rs ).
Agora eu estou composta para sua Aeronáutica. Agora eu viajo!!!!.”
E foi entrando, deixando para traz as gozações do público sobre o sargentão.
Então todos na portaria do TSE começaram a rir.
Perguntei a chefe da portaria, “aonde é que deixo minhas sandálias ?”, fazendo o movimento de tira-las dos pés.
Todos voltaram a rir, e ela rapidamente pediu-me que fosse rápido no ato de protocolar e que não deixasse que observassem meus pés por lá.
Prometi coloca-los no bolso...., rs.
Resolvida a questão.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Navegar....

Eu queria navegar...
Buscar movimentos,
salvar “loucuras”,
sair na alegria de um barco
cruzando fronteiras
redescobrindo o caminho marítimo
para "minhas" Indias

Grito por sua alma
clamo
por ternura de mãos
inspiração,
transpiração,
reinventando o toque
um instante mágico
de carícia.

Pelo amanhecer,
saliente meu desejo.
E ao entardecer,
me cuida,
me ensina,
nos movimentos das sombras,
dos lenções,
das grandes velas,
do meu navegar.

Fico pela madrugada

Sempre que posso, acordo e busco lápis e papel.
Borracha não existe, rs.
Tento perceber o que restou de meus sonhos.
Capto as riquezas das informações, mesmo que não sejam lógicas, ou contínuas.
Colho fragmentos de vida.
Como um agricultor, que sobrevive da terra.
Pois certamente, ali teremos “flashs” da realidade,
os desejos e vontades,
um mundo sem tantas lógicas,
aonde o tempo e o espaço,
não tem a cronologia do dia a dia.
Buscamos pedaços de um quebra cabeça.
A última figurinha de um álbum difícil.
Fico pela madrugada.

O que esta acontecendo...?

Tenho um acordar prazeroso.
Espreguiço meu corpo.
Alongo a alma.
Percebo o cantar dos pássaros.

Os raios de sol
de forma tímida
rompem a bruma do amanhecer.

As cores saltam ao meu redor
A graça
parte dos movimentos.
A leveza,
se faz sonora.

Canto a vida,
bebo o dia,
bailo a noite,
transbordo alegria.

O que esta acontecendo...?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Rainho

Circulo pela cidade
Inspiração de tanta calma
Seus verdes, espaços abertos
Entram por minh'alma
o cantar dos pássaros
travessos a brincar
palco de melodias
projeto de cidade espetáculo
um parque dito “feliz”.

Minha voz,
meu eu cantor
trazem para as ruas
as melodias que amei
o rock and roll
que já dançei
todo perfume que inalei.

Eu quero poder fazer
Das falas de pé de ouvido
Das vozes que guardei
Dos gritos que soltei
Meu ritmo, meu sorrizo.

Pedaços de luar
Espaços a beira mar
Porcelanas de uma vida
Profundesas de um olhar

Minha timidez
me cala.
Exponho-me em pequenos atos
em um palco de vida
personagem da história
de um raio de sol.
Rainho.