sábado, 22 de fevereiro de 2014

Verão

Aqui em casa
venta muito.
Os ventos falam,
comentam, afirmam.

Desarrumam
e espalham os sentimentos.
Provocam frio,
desrespeitando o tempo.

Sentindo-me exposto,
fecho as janelas,
na tentativa  
de nada ouvir.

Ficam os sussurros
por traz das portas.
Tempestades...,
é verão.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Seguir na releitura


 

E foi mais ou menos assim, depois de cruzar a porta do quarto, assustei-me ao deparar-me com o estranhamente novo. Não!!!, quero dizer sim!!!, estava no corredor, o corredor lá de casa, o “de sempre”, mas o espelho que coloquei ali no fundo, nada mais refletia, pois tinha sumido. E o secador de roupas, que morava na área de serviço, estava dobrado e encostado a parede, do corredor, sem “jeito, sentido e lógica”. Avancei, com receio, um pouco mais. Mais voltei a parar, pois apesar de minha miopia, percebi uma mudança maior ainda em minha casa. Receio de seguir em frente, afinal, aonde iria chegar? O que acontecera? Senti medo, insegurança dentro de meu próprio “lar”. Percebi que deixava de ter domínio, certezas, em meu canto. Meu refúgio. As mudanças, outra disposição, da mesma velha casa, mexeram comigo. Pensei logo na cozinha e sua praticidade, no me alimentar, sobreviver; nos apoios “de beleza e graça” que criei em minha sala de estar..., “de bem estar”. Na distância que poderia existir entre meu fogão e a geladeira. Na necessidade de ter que mover-me, redescobrindo distancias, remensurando sentidos. Percebi que TUDO, mas tudo mesmo poderia ter acontecido. Era EU em minha casa, mas nada estava no lugar. Vivia o desconhecimento do conhecido. Mas será que realmente as coisas tem um lugar? Ou eu que as coloquei acreditando que foram feitas para ali? Desejo, vaidade e avaliação de um instante? Ah, que medo. Medo de um grande VISÍVEL desequilíbrio. Ah, que medo de não saber mais aonde me apoiar, meus móveis, meus pertences, minhas muletas, aonde estariam dentro de mim? Imóvel e a dois passos do quarto fiquei. Medo de seguir na releitura. Medo de tentar voltar e não reconhecer-me nem em meu quarto, em minha própria casa. Era eu sim, com medo de brincar, brincar sozinho, embalado com o eco do silencio. Brincar com pedacinhos, retalhos de muitos TODOS, peças de quebra cabeça.

 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Rever-te


As pessoas percebem as explosões

porém a sutileza das implosões

não são percebidas

apesar de arrasarem.

 

Fico feliz do Natal ter passado.

Meu desejo para este ano...,

espero esperar,

conseguir escrever, desejar.

 

Vivo um luto,

uma perda,

de um sonho estrutural;

que desequilibrou-me...

 

Sobrevivente,

retorno sem estardalhaço.

Deixo este campo,

minado, sem visão.

 

Quero ver a vida passar

perceber as pessoas sorrindo

encantar-me com a graça

da poesia das formas.

 

Luto de gente viva

é perda, decepção.

Nas noites assombração.

Nos dias perseguição.

 

Mas a passarinhada acordou-me.

Sempre eles,

leves, coloridos e irreverentes,

apaixonantes a cada amanhecer.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Feliz Curso


Anuncias um curso

do seu instrumento,

o corpo.

 

Nadas promete

mas movimenta

paixão e impressão.

 

Percepções do desejo

passaporte às fantasias

assim te buscam.

 

Seu corpo vida   

fala no instante,

da respiração.  

 

No silencio movimento,

emociona,

quem vê.

 

Longe de um corpo artista

es artista do corpo, 

da êxtase.

 

Na sombra do ato

pensa a luz,

pensa o público.

 

Revelar o humano

dar leveza a dor

permitindo o inconsciente. 

 

Na dança

revela-se

e buscas respostas. 

 

Escreve poesia

com o suor

dando sentido a vida.

 

Feliz Curso.

 

 

 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quase agora

Em sua imensidão,
a madrugada,
permite-me
perceber melhor,
e quase folhear,
brincar de manipular,
a sensação do tamanho,
do volume,
da forma e do cheiro, 
a sombra
e o sabor
de meus sonhos.

O tempo,
em seu passar,
os fez menores.
Mas quem se importa
com o tamanho,
com o prazo de validade,
se a densidade
da idade
remete toda a busca
para o aqui,
para o mergulho
do, quase, agora.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Bordados de vida

Aqui chove,
molha molhado
e esfria a existência.

Vontade de descobrir
o universo
das possibilidades...

O universo
do aquecimento,
das re-possibilidades...

O aquecimento
em meu mundo,
minha enorme cama.

Acampar, morar,
eternizando a relação
com as vestes.

Que vestem
o TUDO aqui
perdidamente acobertado.

Emoções (en)cobertas.
Pedaços de panos
bordados de vida.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Mas cadê o Amarildo?

Volto a cidade que abrigou as maiores manifestações de indignação e enfrentamento popular em 2013.
Aqui cada ação tem troco, tem reação, sentimento e organização.
Venho atrás de rock and rool, de Rock in Rio com Breno, meu filhote.
O calor incomoda, transcende o permitível.
Bem vindo à cidade calientemente maravilhosa.
Isto é Rio de Janeiro.
Nas noites, às luzes e o murmurinho dos corpos alimentam as possibilidades de cada procura.
O Rio é um "EU" estimulado emocionalmente. É reflexo de poesia, é pura transpiração.
A cidade do rock deveria se chamar cidade do swing, pois os ritmos misturam-se, permitem-se de forma harmoniosa, prazerosa. Escorregam em busca...
A música, o movimento, é realmente a procura de cada um, de cada tribo.
Detalhes, como a pequena e emocionante aparição de Maria Gadu no show de Alicia Keys, ou na homenagem de Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, a Chorão do Charli Brown Jr.; bem como a leitura da conjuntura, usando o nariz de palhaço como negação ao ato de ser massa de manobra, “mané”, como afirmação de que o movimento esta vivo e que conhece o caminho das ruas...
Cadê o Amarildo?
O maior show, o grande artista da noite, realmente foi a participação popular, com seus detalhes, no transbordar alegria, energia e disposição.
Uma noite sempre é pouca para uma juventude conspirativamente apaixonada. Uma juventude de luta.
Atingir a cumplicidade não é simples, a entrega no bale da procura, os movimentos dispersamente sincronizados, fazem parte de uma conquista construída.
O prazer é arte&manha do viver.
Artista e arte se confundem no ato do prazer.