quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mudas do Zezinho

Meu avô Zezinho me repetiu algumas histórias de seu pai, Comendador Rainho, diversas vezes.
Achava graça naquilo, na falta de lembrança dele, na necessidade de relatar suas experiências, que aprendeu com seu pai, mas sempre parava e prestava muita atenção.
Tínhamos um sítio no Bairro de Deodoro, Rio de Janeiro. Fui algumas vezes lá. Tenho a ideia de um grande aquário de peixes, externo a casa, vidros tomado por lodo. O da frente rachado, mas adora observar, acompanhar a movimentação.
Da casa grande, das suítes externas ´( abandonadas ) que meu bisavô idealizou para seus filhos, que nunca as ocuparam.
Da descida que levava a estrebaria, em um patamar mais abaixo da casa etc.
Não esqueço de um banho gelado, na última vez que fui lá, o Comendador já tinha falecido, a casa do sítio já com poucas coisas, cada filho carregou o que quis, e meu avô Zezinho mandando que me lavasse direito, especialmente o “pinto” e o “bumbum”, rsss.
Certa vez o Comendador encomendou mudas de uma árvore de Portugal, falava entusiasmado de como eram lindas as cores que as folhas durante as quatro estações apresentava.
Queria que plantassem por toda a estrada de entrada do sítio, com o objetivo de fazer um corredor, até a casa grande.
No meio a tanta empolgação, meu avô estava admirado, pois conforme seu pai, a tal árvore levaria uns dez anos para ficar madura, adulta.
Então questionou:
“...papai, o senhor acha que vale a pena esta despesa, pois já estamos velhos e esta planta necessitará de mais dez anos...”
O Comendador ficou sério, e em seguida falou:
“...meu filho, compre as mudas, se nós não as vermos, outros verão...”
Os dois já faleceram, meu avô Zezinho quando tinha uns 18 anos.
Então fiz um exame de rotina na Câmara de Deputados, pois estava preste a completar 50 anos.
O médico me chamou assustado, e de forma didática informou-me que estava com câncer no rim direito.
Perguntei o que teria que fazer.
Foi enfático, afirmou que teria que retirar imediatamente o rim, pois se o tumor saísse do órgão, poderia se alastrar por todo o corpo.
Perguntei sobre o tempo que tinha.
Então me explicou, era junho de 2007, que se não o fizesse rápido, não curtiria mais o próximo carnaval, de fevereiro de 2008.
Estávamos em processo pré-congressual do PSOL, que decidiria a nova Direção Nacional do Partido, a ser realizado no Rio de Janeiro.
Fiz as contas, ganho o Congresso e depois opero.
Apaguei o problema da cabeça, corri, agitei, falei, negociei, ajudei a construir a maioria.
Dito e feito.
Fomos vitoriosos.
Deixei pronto um desejo, um sonho.
Corri então atrás do prejuízo, operei em 15 de agosto de 2007.
Não brinquei o Carnaval de 2008, mas porque não quis.
Hoje fui ao médico, Dr. Cláudio Venâncio, e combinamos algumas coisas:

1. farei agora tomografia com contraste
2. em tudo normal, perco peso por 3 meses
3. realizo uma nova cirurgia com colocação de tela no abdômen

Promessa de ficar 90% do que era.
Gostei da promessa.
Gostei das mudas de meu Bisavô.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Odelita

A claridade me acordou. Estava sonhando, eram duas pessoas, em quartos separados, me pedindo para entrar em uma cozinha.
Levantei então. Aos poucos fui percebendo que as senhoras eram minha avó, Roma, e Odelita, meia prima, meia tia, meia vó, meia família.
Não acordei com fome, nem elas eram de comer muito.
Fui me ligando, tentando resgatar do subconsciente mais dados.
Percebi depois que a cozinha era de um clube, da Asefe. Elas nunca foram a este clube, rssss.
Mas retornei a Odelita, voltei no tempo.
Lembro-me de um domingo à tarde em que meu avô colocou os cinco netos a desenhar.
Distribuiu papel e ofertou alguns lápis de cor.
Esta era uma estratégia boa, pois ficávamos calados, querendo todos dar o melhor de si. Anne, a mais velha, sempre detinha a melhor pintura.
Todos corríamos, copiando seu estilo, e tentando alcançá-la.
Estava desenhando uma casa, num gramado, uma árvore, com um belo sol e nuvens. Nada menos criativo, rsssss.
No meio da coloração Anne deu um ataque de que nós, os outros, estávamos usando seu conjunto de lápis de cor.
Correu de forma autoritária e recolheu os lápis.
Aquilo criou um rolo danado, com choro, lágrimas, etc.
Logo meu vô Zezinho correu nos trouxe outros lápis.
Chris, Wayman e Eliane logo se satisfizeram.
Continuei a chorar, de forma mais aguda, pois a tonalidade das cores não eram as mesmas.
E tinha a noção de que em uma pintura, como a de Anne, os contornos e as cores teriam que ser bem definidas e homogenias.
Chorava convulsivamente, como se o mundo tivesse acabado. Ninguém era capaz de acabar com tanta tristeza.
Depois de todos tentarem, e desistirem de mim, Odelita se aproximou. Estava já com o rosto inchado. Tentou abrir um diálogo. Não aceitei. Então de forma didática pegou meu desenho e com traços e cores foi me proporcionando a sensação de que as cores e as formas exatas não tinham importância. O conteúdo de uma pintura estava no conjunto, na sensação da forma que era criada. Que nas sombras, nas variantes dos traços e de tonalidade se encontrava o que se queria. Que dali surgia o vivo, nascia o diálogo, brotava a vida.
Aos poucos tomei um lápis, dei os primeiros traços, cores, perdi-me no papel, pois todos os lápis eram divinos, mágicos, únicos.
Ela se afastou sem nada dizer.
Não precisava mais desenhar o relógio da sala, ou copiar paisagens.
Bastava me soltar, e deixar rolar.
Nunca mais disputei com Anne ou com mais ninguém.
Afinal, Odelita me ensinou.
Odelita me inspirou, na vida.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Overdose Taliban

Com a lua acordo
Querendo me drogar
Buscar nos seus beijos
Loucura, alucinar

Na cama, no fogo
Arder te cozinhar
Sentir que me ama
os corpos a agitar

Então desejos...
Suor e manejos...
Transformo-me em arrepios
Teu corpo em assobios

Desejo e seus seios
Delírio a envenenar
Provar outros beijos
Meu corpo agitar

Te quero me arranha
Mulher hortelã
Me morde e assanha
Overdose Taliban

Viva a vida

Regina escreve:
Eu tava pensando enquanto descascava as batatas para o almoço: tá, tudo bem que a Maysa cantava muito bem , foi rebelde para a época etc e tals, mas daí a considerar um exemplo de mulher, de vida e de pessoa vai longe, heim? Ela gostava de uma maguaça lascada, fumava sem parar, não tinha tempo pro filho e ainda era mimada e agressiva.
Outro que endeusaram foi o Cazuza, com direito a um filme de longa metragem para mostrar todos os seus feitos em vida: drogado, irresponsável e mimado. Compunha músicas boas? Sim, compunha, meio chapado, mas compunha.
Esse só poderia ser considerado um exemplo: o MAU exemplo.
Evidente que a vida de uma pessoa batalhadora, de bem, com caráter não faz sucesso, é maçante e entediante, mas, então, vamos deixar claro que muitas figuras populares não merecem ser imitadas* e nem dá prá ficar tirando lição de vida ou qualquer outro ensinamento das suas atitudes.
E agora, vou terminar de descascar as batatinhas.....

Wellington comenta:
Infelizmente tive compromissos na hora de Maysa e não vi a mini-série. Mas pretendo ver ainda, já estão vendendo o CD.
Realmente existe uma grande contradição mesmo com a questão da sensibilidade, da criação, das experiências vividas ao extremo, com a realidade.
É possível viver de forma feliz e intensa sem se matar, sem se drogar, sem se afastar das maravilhas de um mundo real.
Olha a Cassia Eller, quando explodiu pra vida, se implodiu junto.Infelizmente perdemos pessoas com um potencial enorme, que marcaram sua época.
Infelizmente....

Regina pondera:
Quando falo que algumas pessoas não servem de exemplo de vida, não é por moralismo ou conduta.
Eu particularmente me simpatizo com os debochados, os rebeldes, os sem-noção, os que fazem diferença....
Quando eu digo que não são exemplos eu quero dizer que a vida dessas pessoas é difícil, é dolorida e sofrida. O bom mesmo é ser feliz, mas prá isso é preciso ser muiiiiiiiito sem-noção kkkkkkkkkkkkkkkkk nem sei porque estou falando isso aqui, deveria estar respondendo no blog, mas eu resolvi passar por aqui...fazia tempo que não mandava um scrapbook hihihihihihi.
beijos nonsense*

Wellington comenta:
Os debochados, os rebeldes, os sem-noção....tbm simpatizo, são ótimos. na noite, nos bares, na vida.
Na realidade aprendi que é entre estes pares, neste setor da sociedade, que poderiamos buscar os amantes da revolução socialista. Entre os alegres, os vivos, os de atitudes, que dançam, que jogam, que amam e se arrepiam, que choram e reagem perante as injustiças, estes nós recrutávamos.
Falamos de amor, de beijos, de um mundo aonde o meio ambiente será respeitado, aonde o brilho nos olhos será comum. Aonde a qualidade de vida, o respeito, será o motivo da vida.
Convidamo-os a juntos construirmos um novo mundo. A ter um instrumento próprio, que é o partido.
Imagine, se nos anos após o golpe militar, nossa juventude fosse detida como bêbados e drogados. Eles não fariam a diferença.....como fizeram. Não era fácil fazer esta discussão, nem é hoje ainda, pois como vc mesmo diz, a questão não é moral, mas de sobrevivência, pois tbm citando vc, “ acaba difícil, é dolorida e sofrida...a vida dos sem-noção”.
Viva os poetas, os surfistas, os músicos, os dançarinos, os artistas, os sonhadores, os revolucionários.
Chega de perder gente boa.
Viva a vida.

Amor Pop Star

Aconteceu, rssssssssss.
Um conhecido saiu do trabalho e foi com amigos tomar uma cervejinha, sem maldade.
Do nada rola um clima com a arquiteta.
Eles já trabalhavam juntos tinha tempo, mas naquele dia....o clima esquentou.
E a noite foi pequena pra tanto desejo.
No dia seguinte, ele, voltando pra casa não sabia o que falar.
Foi quando percebeu que só sendo vítima da vida, poderia escapar daquela enrascada.
Arrancou um pé do sapato e o jogou por cima de um terreno baldio.
Com um forte golpe abriu a camisa, aonde perdeu alguns botões.
Esfregou-se com força em um muro com chapisco grosso, provocando sangramento pelo rosto e peito.
Então correu, correu muito até em casa.
Chegou ofegante e explicou que fugiu de um seqüestro.
A esposa, delegada de polícia, imediatamente ligou para a delegacia e colocou toda equipe a procura dos “bandidos”.
Ele, a vítima, foi notícia dos jornais e tele jornais da cidade.
Este foi um amor Pop Star.

Tio Maninho

Estava lanchando com meu tio Maninho ( Henrique ), mesa farta, tipo café colonial, doces, geléias, frios, cucas, pães, queijos, nata, etc e etc.
Estiquei o braço e alcancei um pão de forma já aberto.
Imediatamente meu tio me tomou da mão.
E passou-me um pacote com um pão lacrado.
Afirmou de boca cheia, “este é novo”.
Tentei explicar que queria o aberto,
afinal era o da manha, ainda ótimo para o consumo.
Então tio Maninho disse de forma direta:
“coma o novo, o velho dou pro Urso ( o cachorro ) e pros porcos”
Tentei argumentar que não fazia sentido desperdiçar comida e que eu preferia comer o mais velho. Que ele deveria parar de comprar mais comida, até acabar o que tinha.
Maninho então rasgou uma gargalhada na copa.
Então afirmou:
“vc vai resolver o nosso problema daqui de Catuipe, irá primeiro consumir todas as mulheres velhas da cidade, pra não “desperdiçar” e deixará as novas pra nós, kkkkkkkkkkkkkkkkkkk.”
Este é meu tio Maninho, o velho Grebão, rsssssssssssssss.

Visite a comunidade do Tio Maninho, vale a pena, rs.

Maninhu, o Poderoso Grebao (32 membros)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Água viva

É interessante o ser visita, forasteiro das vidas locais.
Passo pelas casas de diversos primos, com suas esposas, filhos e grupo social.
Cada um colocando, apresentando, seu modo de vida, suas vitórias, suas buscas, contando seus contratempos e soluções de vida. Tudo regado de muita comida, rs.
O principal esporte daqui, é o levantamento de garfo, rs.
Ontem a noite fui a casa do Elton e Clarice.
Elton tem a marca de Greber no rosto. Feito em forma como parte da família. Me lembra o falecido vô, igual, digo igual a seu irmão mas novo, Eduardo, meu companheiro de boas farras em Brasília.
Dele pouco me lembrava.
O vi com uns 10 a 12 anos em Sta Rosa, e depois a uns 10 anos atrás em Brasília.
Sempre coisa muito rápida.
Sua esposa, Clarice, já tinha tido o prazer de conversar um pouco, de trocar alguns e-mails, ou MSN. Também muito pequena a experiência, mas de longe já percebia uma pessoa sensível e agradável.
Eles tem uma única filha, Lara, menina linda, que já faz o terceiro período de comunicação em universidade pública.
Enfim uma bela família.
Com algumas muitas características locais, mas com uma carga genética Greber acentuada, rs.
O amor e paixão pelo Elton por cães, é impressionante. Fez questão de me mostra-los um a um. Contar as istórias, sobre os pães, irmãos, procedência.
Mostrar fotos do nascimento e de passeios e momentos dele com seus cães.
Foge-me o presente, revivo o passado e vejo seus irmãos, Sonali e Eduardo, ambos professores em Brasília, com seus respectivos animais e também falando e contando sobre os mesmos, rs.
Sua esposa Clarice, vem relatar que Elton tem o hábito de acordar cedo, fazer o café, arrumar a casa, dar comida aos bichos, e sentar diante do amanhecer.
Começo a sorrir devagar, parece que ela falava de mim, de meu tio Henrique, estou hospedado hoje na casa dele, de meu primo Goia, digo Álvaro, de Porto Alegre.
Enfim, características físicas e de comportamento, que vemos em diversos membros da família.
A comilança foi muito boa, carne e carne de diversos tipos.
Uma maionese, famosa e comentada, que também recomendo e dou nota máxima.
Fiquei sabendo que o casal, no início de sua vida, tinha ido atrás de mim no Rio de Janeiro, mas que o desencontro se deu por já ter partido rumo ao exterior.
Ou seja, poderia ter tido a alegria de um primo parceiro, em minhas andanças pelas terras do Tio Sam. Sei lá o que não teríamos aprontado por lá. Afinal juntar Grebers causa euforia, ação e determinação, rs.
Mas a vida não nos premiou com estes momentos.
Porém aqui a vida é sonora, os pássaros falam dos sonhos, se confundem com as crianças, interpretam a vida, no vai e vem das paixões.
Elton, quando se despedia de mim no portão, confessou da “falta” que sentia em não ter seu mano a seu lado.
Mas uma vez disse o quanto Eduardo era um amigão, companheiro, e que estava muito bem e feliz com sua companheira “Cele”, figura impar e maravilhosa, parceira das parceiras, das noites e dos dias.
Nos despedimos, com gosto de quero mais.
Espero poder recebe-los lá em casa, poder emendar a noite com o dia, esticar o tempo, em longas conversas.
Agora vou ao clube.
Perceber o sol de dentro dágua, como camaleão, transformar-me em água viva.