De
repente de pai, virei avô. Pensei, bastou uma filha parir e a mágica se deu. A
partir dali debutava como avô de minha neta e futuros netos. Buscava ser
engraçado, agradável e presente. Fui sentindo, aos poucos que faltava algo. Fui
percebendo e descobrindo que “virar” avô era isto, mais “ser” avô era bem mais
do que isto. Não bastava ter a intenção, tinha que romper este limite e atingir
a ação. Resgatando e re-compreendendo a curiosidade, o interesse pelo que
parece obvio e sem graça, dando atenção as cores, as texturas, aos sons e ao
paladar. Observando que o horizonte de visão pode se dar em diferentes alturas.
Ficar avô é falar com gestos e caretas. É tagalerar com animais, objetos e
plantas, é perceber que o céu tem estrelas, e que o infinito pode ser atingido,
porque o infinito poder ser ali. Ser avô é voltar a brincar, é andar sem pisar
nas linhas, é ter histórias para contar. Ser avô é ter certeza que você ira
aprender ouvindo as historinhas dela, a criança. Ser avô é perceber êxtase e prazer
de seu neto, quando eles ouvem sua voz. Mas
mesmo percebendo que era necessário estar aberto, via que faltava mais alguma
coisa. Aí as filhas da Socorrinha, uma menina que trabalhou lá em casa durante
muito tempo, me chamaram de vovô. Então percebi, que ser avô, é mais do que ser
avô de seus netos, é romper a fronteira familiar e ser avô de uma infância.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Longos beijos
Brincar
de encostar
sorrisos.
De leves
mordidelas
de gostos e
cheiros.
Brincar
de pequenas lambidas
de desejos
e vontades.
Brincar
de acreditar
e tentar
engolir-te.
Brincar
de realmente
desejar
ser engolido.
Brincar
de te invadir
te descobrir
com minha língua.
Brincar
de se entregar
se integrando
ao puro instinto.
Brincar
de longos beijos
na fronteira
da loucura.
domingo, 5 de agosto de 2012
Fronteiriço
Relaciono-me,
sou um ser social
que acusa
o golpe do abandono.
Inquieto
como a ansiedade
buscando a sanidade.
Abro impulsivamente os
braços,
tentando abraçar o mundo.
Ao não conseguir
frustro-me.
Parto do choro ao riso,
sentindo dor.
Contrario-me
diante de emoções extremas.
Viver é o ato de amar
e ser amado intensamente.
O vazio me persegue,
mas corro dele,
driblando o delírio,
me escondendo atrás da
morte,
dobrando a esquina.
Na real
fico confuso
a respeito das coisas.
Mas busco somente
continuar
a rolar os dados.
domingo, 29 de julho de 2012
Dia em família
Me aperta o peito
relembrar,
reviver
seu mono sibilo,
o “”NÃO””.
Desde então
vou vivendo a flor da pele.
Me ocupa a mente,
os instantes.
Fica o eco
no coração.
Não existe o rompimento
mas o desentendimento.
Pesco seu olhar perdido
em meio a cicatriz.
Fica a aflição,
e a vontade
de fazer diferente.
Vontade de aos pedaços
resgatar a
cumplicidade.
De brincar de sorrir,
de continuar.
Perdemos as medidas
e o descanso.
Ficou a metade,
a falta.
Sem explicação
Não pude me entregar
como queria.
Me embaracei,
me embaralhei
nas minhas diferenças.
Já é madrugada
e não consigo
esculpir o que passou.
Te devo
um sorriso,
com brilho nos olhos.
Fica assim
sem explicação..
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Ouvindo a alma
Esta semana fui até a Clínica Ser. Os funcionários e
alguns pacientes me reconheceram, e conforme desferiram perguntas, respondia
mais ou menos atendendo a expectativa de cada um. Perguntaram se eu estava lá
visitando alguém, ou em clínica dia, ou para consulta, e aí ia.
Não queria chamar atenção.
A invisibilidade ao outro seria perfeita.
Acabei achando meu canto.
Mas na verdade nem eu sabia direito o que esperava com
tal visita.
Creio que poder sentar no sofá, fechar os olhos, deixar o
tempo passar, e com ele a dormência do coração.
Calar um pouco na perspectiva de ouvir a alma.
Estar consigo é teoricamente tão simples, como difícil.
terça-feira, 24 de julho de 2012
QUE TIA PINA
Você me faz
sentir-me decepcionado,
paralisado, estagnado.
Perco-me no labirinto
das cobertas
sem achar
as saídas da cama.
Vontade
de não ter vontade.
Quem é você ???
És aquela
que desconstrói
com raiva
e sem cerimônia
meus alicerces?
Tenho que reabrir a janela.
Sair do limbo,
ventilar as idéias,
empinar a vontade,
os desejos,
como pipa;
junto ao impulso,
a sinceridade
e o sorriso
das crianças.
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