segunda-feira, 3 de março de 2014

Carnaval de vida.


Aqui chove, mas a agitação do novo, impede o molhado, não provocando frio. Vivemos regados pela vida, pela chuva, pelo suor. Breno apreendeu a sair. Da seus primeiros voos. A rua, o cheiro de liberdade, e suas possibilidades o fascinam.

Rolam bailes pelos clubes, serpentinas cortam o vazio com cores, erupções, ejaculações de som, confetes de vida; blocos animados se formam como sempre, rachas e marchinhas embalam o desejo, e Bárbara busca informações de matines...

As procuras são tão vivas como diversas, mudam de cor e rumo, textura e paladar. Todo mundo juntamente separado.

E porque não aceitar o café, não se chegar, desfilar e navegar no flash de cada instante.

Bom mesmo é a ideia do eterno, do pra sempre, carnaval de vida.

Basta abraçar.


E era o aniversário do Bernardo. Três aninhos. Tive que ir buscar o bolo e os docinhos, isto em companhia de minha outra netinha, a princesinha Gabriela de 6 anos, a quem fui buscar na escola.

Em meio ao desconhecimento do endereço da confeiteira, a preocupação dos trancos provocados com o tráfego e seus possíveis efeitos com a encomenda; tinha de manter a atenção e fantasia no papo com minha Gabizinha, além de ser rápido e não me atrasar. Consumia-me em mil pensamentos e preocupações.

Mas tudo aparentemente deu certo. Chegava a festinha, cumprimentava e respondia aos cumprimentos sociais. Nem me atrasei tanto...

Ai fui surpreendido por um corpinho que impedia minha passagem. Era o próprio, o aniversariante, o “Be” do vovô, que tinha ouvido minha voz. Parei e o peguei no colo pensando em brincar com as palavras, fazer um jogo de cena, tomar conta da situação.

Porem fui surpreendido, fui chamado ao que era realmente importante naquele momento. Nosso encontro.

Com seu pequeno grande abraço, denso, longoooo e silencioso fui capturado, envolvido, desarmado. Que coisa gostosa, maravilhosa. O que é que é o sentimento de ser querido, de saudades, de puro amor.

E tem gente que cobra e exige declarações, reconhecimento de “firma”, testemunha.

O amor, ou existe, ou não precisa explicar.

Basta abraçar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Os desejos antigos são tão novos!!!!


E já era entardecer no último domingo, quando liguei o rádio. Boa música ao Por do Sol é tudo de bom. Rolava um programa sobre a obra do mestre Cazuza e do grande Arnaldo Antunes. Dois poetas de grande sensibilidade, que refletiram em seus acervos a voz e o grito, de uma vanguarda.

Poderia citar “N” músicas, pois todas buliram em um pedacinho de minha experiência, mas em especial naquele domingo, Ideologia, trouxe de volta um bate papo de face book aonde percebia uma atmosfera de desilusão, depressão, falta de credibilidade, de vontade, falta do desejo pelo amanhã, perante a vida.

Pessoas que foram ativas, vivas, amadas, com histórias e histórias de buscas para contar, pessoas que trilharam a curva do arrepio, que venceram o “Cabo da Boa Esperança”, que enfrentaram governos e suas políticas de repressão, que ousaram descobrir seus caminhos marítimos; mas que hoje, entrincheiraram-se nos prazeres da sobrevivência.

Entrincheiraram-se numa visão míope, aonde todo o sonho é aqui, por medo do adiante, medo de se permitir amar, por medo de desilusões, por medo da realidade do efeito tempo. Da dita “falta” do tempo.

FALTA é o que não existe.

Ah!!!!!, vamos conspirar, construindo uma célula, da busca do prazer.

É foi bom deixar o Natal passar e recomeçar. Sempre!!!!

Os desejos antigos são tão novos!!!!!

É tão bom o frescor do ventinho no rosto quando se olha em frente. É tão bom ler, reler e derreter-se no dia a dia.

Sempre uns ficam pelo caminho, mas os pássaros nunca deixam de nos convocar todos, a viver, a cada amanhecer.

 

“Quase”


Falo com você, que achava, que tinha certeza, que podia “quase tudo” e se assustou com a vida.

É que a “lacuna” anterior ao tudo, às vezes vista, percebida por um ângulo diferente, passa uma sensação de imensidão. De cratera sem fim, sem bordas, sem apoio, sem termino.

Da medo. Frio na barriga.

Mas realmente a percepção que às vezes temos ao acordar, de que somente nós acordamos, que o “mundo e a vida” ainda dormem, e que não dormiram com a gente, assusta.

Os sustos, não são de tudo ruins, pois até curam soluços, previnem e alimentam o instinto.

Sim, pra quem já foi muito feliz, pra quem transpirou felicidade, prazer, o risco de saltar, como quem brinca de amarelinha, por cima do “quase”, para atingir o próximo portal, o do “tudo”, é mais um desafio.

É estar, por um LONGO instante, “quase” no ar.

É despejar o “tudo” na poesia.

É navegar por arco íris, em brumas de adrenalina.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Verão

Aqui em casa
venta muito.
Os ventos falam,
comentam, afirmam.

Desarrumam
e espalham os sentimentos.
Provocam frio,
desrespeitando o tempo.

Sentindo-me exposto,
fecho as janelas,
na tentativa  
de nada ouvir.

Ficam os sussurros
por traz das portas.
Tempestades...,
é verão.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Seguir na releitura


 

E foi mais ou menos assim, depois de cruzar a porta do quarto, assustei-me ao deparar-me com o estranhamente novo. Não!!!, quero dizer sim!!!, estava no corredor, o corredor lá de casa, o “de sempre”, mas o espelho que coloquei ali no fundo, nada mais refletia, pois tinha sumido. E o secador de roupas, que morava na área de serviço, estava dobrado e encostado a parede, do corredor, sem “jeito, sentido e lógica”. Avancei, com receio, um pouco mais. Mais voltei a parar, pois apesar de minha miopia, percebi uma mudança maior ainda em minha casa. Receio de seguir em frente, afinal, aonde iria chegar? O que acontecera? Senti medo, insegurança dentro de meu próprio “lar”. Percebi que deixava de ter domínio, certezas, em meu canto. Meu refúgio. As mudanças, outra disposição, da mesma velha casa, mexeram comigo. Pensei logo na cozinha e sua praticidade, no me alimentar, sobreviver; nos apoios “de beleza e graça” que criei em minha sala de estar..., “de bem estar”. Na distância que poderia existir entre meu fogão e a geladeira. Na necessidade de ter que mover-me, redescobrindo distancias, remensurando sentidos. Percebi que TUDO, mas tudo mesmo poderia ter acontecido. Era EU em minha casa, mas nada estava no lugar. Vivia o desconhecimento do conhecido. Mas será que realmente as coisas tem um lugar? Ou eu que as coloquei acreditando que foram feitas para ali? Desejo, vaidade e avaliação de um instante? Ah, que medo. Medo de um grande VISÍVEL desequilíbrio. Ah, que medo de não saber mais aonde me apoiar, meus móveis, meus pertences, minhas muletas, aonde estariam dentro de mim? Imóvel e a dois passos do quarto fiquei. Medo de seguir na releitura. Medo de tentar voltar e não reconhecer-me nem em meu quarto, em minha própria casa. Era eu sim, com medo de brincar, brincar sozinho, embalado com o eco do silencio. Brincar com pedacinhos, retalhos de muitos TODOS, peças de quebra cabeça.

 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Rever-te


As pessoas percebem as explosões

porém a sutileza das implosões

não são percebidas

apesar de arrasarem.

 

Fico feliz do Natal ter passado.

Meu desejo para este ano...,

espero esperar,

conseguir escrever, desejar.

 

Vivo um luto,

uma perda,

de um sonho estrutural;

que desequilibrou-me...

 

Sobrevivente,

retorno sem estardalhaço.

Deixo este campo,

minado, sem visão.

 

Quero ver a vida passar

perceber as pessoas sorrindo

encantar-me com a graça

da poesia das formas.

 

Luto de gente viva

é perda, decepção.

Nas noites assombração.

Nos dias perseguição.

 

Mas a passarinhada acordou-me.

Sempre eles,

leves, coloridos e irreverentes,

apaixonantes a cada amanhecer.