sábado, 3 de maio de 2014

São filhos da vida


“Muitos anos depois...”
...às vezes paralisa, amortece, entristeceeee. Quando uma forte dor aparece, a gente some, pois se transforma em algo que não identificamos. Não reconhecemos. Então, como assumir?, como ser?, o que estamos, o que restamos. São dores que vem, que afloraram e assombraram meus dias, minhas noites, meu desejo desde final do ano passado. Trata-las é romper com verdades, é romper com si mesmo, é sangrar num silencio. Mas num tempo menor, já consigo voltar a escrever. A paralisia, cria calos e feridas, que te movimentam por outro motivo. O observar o tudo funcionando (menos você) te dá a certeza de que nada mudou com sua dor. O medo de amarelar, de balançar, o medo de cair, na corda “bamba” ou de “bambas”, expõe o limite classificado por "defeito de ser sensível". Vivo as palavras colhidas no silencio (no tempo parado) dos meus travesseiros. Ali espero o efeito dos remédios, nas fases da lua, espero passar o não esperar. É, as vezes quem se ama, nos paralisa, amortece, entristeceeee... São filhos da vida.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

João e Maria (Idalina Bonfim)


João e Maria
Eu ouvia gritos
Parecia um pesadelo,
Era um pesadelo...
A cela fria, fétida...
Eu ouvia os passos
E cada um deles
Me fazia tremer,
Eu temia a tortura,
Queria morrer...
E João?
E nossos sonhos?
E nossos filhos?
Eles nem nasceram...
Nos arrancaram tudo...
A família, o trabalho,
Até os sonhos.
 
 

 
 
Eu ouvia gritos

Parecia um pesadelo,

Era um pesadelo...

E pavor,

descontrolados

gritos de dor,

física e moral.

A cela fria, fétida...

Eu ouvia os passos

E cada um deles

Me fazia tremer,

Passos nos movem,

nos levam

a outro lugar,

mas na paralisia,

na dor profunda

optamos pelo “menos”,

pelo inexistente,

menos pior.

Eu temia a tortura,

Queria morrer...

pois o instante

sangrava!!!

E João?

E nossos sonhos?

E nossos filhos?

Perdemos o desejo,

vivendo saudades

das possibilidades,

do que não tivemos.

Eles nem nasceram...

Nos arrancaram tudo...

que poderia brotar,

germinar

a cada amanhecer...

A família, o trabalho,

a leve e gostosa

rotina de felicidade...

Até os sonhos.

Até...

quinta-feira, 17 de abril de 2014

PRESSENTIMENTO


O que me dizem sobre o pressentimento?
Suzana Medeiros

O efeito de pressentir, é meio instintivo. A gente suspeita, levanta possibilidades, no ato da busca pela vida.
Às vezes o palpite é simples, resolve-se na loteria, na banca do bicho, na corrida de cavalo... Neste caso é mais fácil. Porém quando vivemos dramas, um sentimento hipotético, que move e remove ideias, que gera cansaço, medo, expectativas, depressão..., a koiza pega.
Pressentir o momento – PRESSENTI-MENTO - a flor da pele com senti-mentos desconfiados é duro.
A suspeita movimenta a mente e o silêncio, causando sensações “estranhas”, nos trazendo advertências, e até punições em cima de possibilidades, não desejadas. De circunstância vira presságio.
Culpa ou “capacidade sobrenatural” de se prever o futuro? É informação, mas é empírica, é advertência mas é do medo, do amanha...
Prefiro os sonhos leves, com sorvete, brigadeiros, cafune ao luar, com toque na emoção.
Prefiro os sonhos de minhas convicções, que aflorem meus desejos, que derrubem "Bastilhas", que despenteie as emoções...

 
 
 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Cheira liberdade


O tempo passaaaa...
mas o sentido

e a necessidade

de liberdade ficam.

Ser livre

é levemente,

plainar na poesia.


A liberdade,
esta no ato

do desejo,

na capacidade de romper

com o incomodo,

a repressão

e exploração.


O ser livre
é partir rumo a busca,

aos sonhos e fantasias

ao fetiche liberdade,

da livre organização,

dos voos infinitos,

da sensação de ser.


A chuva como a vida,
surpreende as intenções.

A sabedoria nos permite

ser felizes molhados...

O tempo firmou,

e o amor

cheira liberdade.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Ensaio



Ainda sinto

o seu sono,

no meu corpo,

levemente lesado.

 

Puxo a coberta

de seus sonhos,

e tento me aninhar,

na ternura.

 

Na procura,

me aquecer.

Nada acabou,

não amanheceu.

 

E na umidade do amor,

ainda restava

toda a raspa

de poesia.



 

domingo, 13 de abril de 2014

Elegância

" Um homem com uma dor
É muito mais elegante..."

Muito...
talvez o motivo,
seja reflexo de um acaso,
de "um" guarda roupa.
 
De uma moda,
ou de uma tendência,
de um sentimento,
perdidamente mal entendido.

As dores devastam,
e os cosméticos
não  "evoluíram" o suficiente,
pois não maquiam a alma..

O elegante é só,
e desfila...
Enquanto a DOR
desarruma as gavetas.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Soltando Pipa




Dei linha
quando a ideia

era dar um tempo.

E a pipa
neste céu

de sol se foi.

Dei um tempo
quando não tive ideia

apesar de minha ventania.